No Rio Grande do Sul, a Emater revisou a estimativa da safra total para 32,8 mi tons
O mercado da soja registrou leve valorização nas negociações desta terça-feira na Bolsa de Chicago, em um movimento marcado por ajustes após a divulgação do relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. Segundo análise da TF Agroeconômica, o relatório WASDE trouxe dados considerados neutros para o mercado, mantendo os estoques finais norte-americanos em 9,52 milhões de toneladas.
Os contratos reagiram com compras técnicas ao longo do pregão. O vencimento março subiu 0,57%, ou 6,75 cents por bushel, encerrando a US$ 11,87. Já o contrato maio avançou 0,46%, ou 5,50 cents, a US$ 12,01 por bushel. Entre os derivados, o farelo de soja para maio subiu 0,32%, para US$ 314,50 por tonelada curta, enquanto o óleo de soja recuou 0,73%, para 65,62 centavos de dólar por libra-peso, pressionado pela queda de cerca de 10% no petróleo.
Na América do Sul, o relatório reduziu a estimativa de produção da Argentina para 48 milhões de toneladas e manteve a projeção da safra brasileira em 180 milhões de toneladas. No Brasil, dados da Conab indicam que a colheita já alcança 50,6% da área plantada, acima da média dos últimos cinco anos, aumentando a pressão de oferta no mercado físico.
No Rio Grande do Sul, a Emater revisou a estimativa da safra total para 32,8 milhões de toneladas, queda de 7,1%, com recuo de 11,3% na produtividade da soja devido ao estresse hídrico. O estado também enfrenta crise no abastecimento de diesel, com relatos de paralisação de máquinas e risco logístico durante a colheita.
Em Santa Catarina, a produção na Serra Catarinense deve crescer 28%, alcançando 337 mil toneladas. A comercialização permanece estável, voltada ao abastecimento da agroindústria de suínos e aves, enquanto o escoamento pelo porto de São Francisco do Sul segue regular.
No Paraná, a colheita atinge 54% da área, com 93% das lavouras em boas condições. Apesar disso, cooperativas enfrentam saturação de armazenagem, o que tem ampliado o uso de silo bolsa e pressionado a logística de escoamento.
No Mato Grosso do Sul, a colheita avança entre 27,7% e 43,9%, mas a expansão da ferrugem asiática exige aplicações extras de fungicidas, elevando custos. Já no Mato Grosso, com 89,15% da área colhida, a produção recorde pressiona os preços e expõe gargalos logísticos e déficit histórico de armazenagem.
Agrolink – Leonardo Gottems
Publicado em 11/03/2026 às 06:39h.
