Vacinação contra raiva se torna obrigatória em 30 municípios do Oeste do PR
O prazo para a regularização da vacinação contra a Raiva em animais de produção em 30 municípios do Oeste do Paraná termina em 24 de março, segundo o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná – IAPAR-EMATER. A medida foi estabelecida pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) por meio da portaria 368/2025, publicada em setembro, que concedeu prazo de seis meses para que produtores imunizassem herbívoros domésticos a partir de três meses de idade.
O grupo de animais que deve ser imunizado inclui búfalos, bovinos, equinos, asininos, muares, ovinos e caprinos com idade igual ou superior a três meses. Animais vacinados pela primeira vez devem receber uma dose de reforço entre 21 e 30 dias após a aplicação inicial e, posteriormente, a imunização deve ocorrer de forma anual.
A obrigatoriedade abrange os municípios de Boa Vista da Aparecida, Braganey, Campo Bonito, Capanema, Capitão Leônidas Marques, Cascavel, Catanduvas, Céu Azul, Diamante d’Oeste, Foz do Iguaçu, Guaraniaçu, Ibema, Itaipulândia, Lindoeste, Matelândia, Medianeira, Missal, Planalto, Pérola d’Oeste, Quedas do Iguaçu, Ramilândia, Realeza, Rio Bonito do Iguaçu, Santa Lúcia, Santa Tereza do Oeste, Santa Terezinha de Itaipu, São Miguel do Iguaçu, Serranópolis do Iguaçu, Três Barras do Paraná e Vera Cruz do Oeste.
A decisão considera o número de focos registrados nos últimos anos, a proximidade com o Parque Nacional do Iguaçu, a existência de áreas compartilhadas de transmissão e o número de pessoas que necessitaram de tratamento após contato com animais suspeitos. Embora a obrigatoriedade se restrinja a 30 municípios, a vacinação é recomendada em todo o território do Paraná.
A Raiva é considerada uma doença de relevância em saúde pública, com impactos econômicos, sociais e sanitários. Sob a perspectiva do conceito de Saúde Única, que integra saúde humana, saúde animal e meio ambiente, o controle da enfermidade depende da atuação conjunta de diferentes setores públicos. Nesse contexto, ações permanentes são consideradas fundamentais para o controle do vírus.
Dados do Departamento de Saúde Animal da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná indicam que, em 2025, foram registrados 230 casos positivos de Raiva em animais de produção, distribuídos em 197 focos. A doença ocorre tanto em áreas urbanas, onde cães e gatos atuam como principais transmissores, quanto em áreas rurais, onde morcegos hematófagos são reservatórios e responsáveis pela transmissão aos rebanhos. O vírus é letal para animais e humanos quando a contaminação não é identificada em tempo para tratamento.
Entre as ações de prevenção, a autarquia realiza o cadastramento e o monitoramento de abrigos de morcegos hematófagos, com controle da espécie Desmodus rotundus, além da investigação de casos suspeitos em herbívoros com coleta de material e execução de medidas sanitárias em focos da doença. Também são promovidas atividades de educação sanitária voltadas à identificação de morcegos hematófagos, ao reconhecimento dos sinais clínicos da doença nos animais e à orientação sobre os procedimentos de notificação.
A vacinação contra a Raiva tem baixo custo, pode ser aplicada pelo próprio produtor e deve ser realizada anualmente. A imunização preventiva é apontada como a principal forma de combate à doença, uma vez que, após o surgimento de sinais clínicos, não há tratamento disponível.
Agrolink – Seane Lennon
Publicado em 11/03/2026 às 18:57h.
