Esse descompasso provoca deterioração nas relações de troca
O mercado de fertilizantes fosfatados volta a registrar forte pressão de preços no interior do Brasil, refletindo um ambiente de maior tensão nas negociações e nas decisões de compra dos produtores. Segundo análise de Jeferson Souza, analista de inteligência de mercado, o map voltou ao patamar de cerca de 1.000 dólares por tonelada no interior do país.
Antes mesmo dos conflitos internacionais recentes, o mercado de fósforo já apresentava sinais de forte sensibilidade, com oferta e demanda operando em equilíbrio delicado. Com o avanço das guerras, a pressão de alta ganhou força e passou a influenciar diretamente a formação dos preços.
O retorno do MAP à casa de 1.000 dólares por tonelada recoloca o mercado em níveis observados em 2022. A diferença é que o cenário atual das commodities agrícolas é distinto daquele período. A soja, que serve como referência importante para o poder de compra do produtor, não está no mesmo patamar registrado naquela época.
Esse descompasso provoca deterioração nas relações de troca no interior do Brasil, que passam a figurar entre as piores já observadas. O encarecimento do fertilizante, combinado a preços mais baixos da soja, amplia a cautela nas negociações e levanta dúvidas sobre o ritmo das compras para a próxima temporada.
Ao mesmo tempo, uma nova sinalização vinda da China trouxe ao mercado uma notícia considerada ainda mais protecionista, reforçando o ambiente de incerteza. Nesse contexto, cresce a percepção de que poderá haver redução na demanda por fertilizantes, embora ainda exista dúvida sobre a dimensão desse movimento.
A avaliação é que ciclos de alta não se mantêm indefinidamente. A principal questão para o mercado passa a ser quando ocorrerá uma correção de preços e se haverá tempo para que as decisões de compra sejam tomadas com maior segurança.
Agrolink – Leonardo Gottems
Publicado em 16/03/2026 às 02:30h.
