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Como convencer o produtor a usar bioinsumos?

A orientação é que a abordagem não seja baseada na substituição imediata

O avanço dos bioinsumos no Brasil tem ampliado as discussões sobre novas estratégias de manejo nas lavouras, especialmente diante de produtores acostumados ao uso tradicional de insumos químicos. Segundo Fernando Souza, engenheiro agrônomo, a expansão dessas tecnologias trouxe também desafios comerciais e técnicos para profissionais que atuam diretamente no campo.

De acordo com a análise, muitos produtores utilizam defensivos químicos há décadas e tendem a adotar soluções biológicas apenas quando outras ferramentas deixam de apresentar resultados satisfatórios. Nesse cenário, a compreensão da dinâmica dos biológicos e a capacidade de demonstrar benefícios concretos tornam-se fatores centrais para ampliar a aceitação no campo.

A orientação é que a abordagem não seja baseada na substituição imediata dos produtos químicos, mas na construção de resultados práticos ao longo do tempo. Um exemplo citado envolve o posicionamento de bioinsumos associado à redução de cerca de 25% da adubação nitrogenada. Em áreas de 100 hectares, a estratégia pode gerar economia relevante ao produtor, dependendo do preço da ureia no momento da aplicação.

Outro argumento utilizado no campo está relacionado ao desenvolvimento radicular das plantas. Ensaios apresentados indicam aumento de até 20% no comprimento das raízes, o que favorece a absorção de nutrientes e fortalece a lavoura em condições adversas, como períodos de seca.

Há também relatos de produtores que, após alguns anos de uso, passaram a reduzir gradualmente a adubação fosfatada em solos com níveis adequados do nutriente. Resultados apresentados em propriedades agrícolas apontam reduções de até 10% após três anos de uso e de 15% após dois anos em determinadas áreas.

No controle de nematoides, o uso de agentes de biocontrole também aparece como alternativa crescente, com índices superiores a 80% de controle em determinadas situações e possibilidade de aplicação no tratamento de sementes ou diretamente no sulco de plantio.

A recomendação é iniciar o uso de forma gradual, testando os produtos em pequenas áreas da propriedade. A compatibilidade com defensivos químicos já utilizados pelo produtor e a apresentação de resultados técnicos são apontadas como estratégias importantes para ampliar a confiança e facilitar a adoção dos bioinsumos nas lavouras.

Agrolink – Leonardo Gottems
Publicado em 16/03/2026 às 02:15h.

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