Demanda internacional forte mantêm preços elevados
Em Goiás e em todo o Brasil, o preço da carne bovina segue pressionado por fatores estruturais da pecuária e por um cenário de mercado aquecido. Segundo o analista do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (IFAG), Marcelo Penha, o setor vive um momento típico de valorização dentro do ciclo pecuário.
“A carne bovina… nós estamos no ciclo de alta da pecuária, com reposição cada vez mais cara. A arroba bateu, na semana passada, na média de Goiás, cerca de R$ 321 e continua com tendência de crescimento.”
Após anos de abate elevado de fêmeas, os produtores passaram a reter matrizes para recompor o rebanho, o que reduz a oferta de animais no curto prazo. Com menos boi disponível, frigoríficos disputam animais, os preços sobem e o consumidor sente no bolso.
“A retenção de matrizes diminui a oferta de animais para os frigoríficos. Eles estão com dificuldade de encontrar boi e vaca no mercado, e isso mostra um aquecimento no setor”, explica.
No início de 2026, a arroba do boi gordo no estado já girava acima de R$ 315, com avanço nas cotações nas principais regiões. Em fevereiro e março, esse movimento se intensificou: a procura superou a oferta, elevando os preços tanto do boi quanto da vaca e da novilha.
Além disso, o mercado iniciou março com valorização sustentada por dois fatores principais: exportações fortes, especialmente para a China, e oferta limitada de animais terminados. Esse desequilíbrio mantém o preço elevado também no varejo.
“Nada ainda de impacto de fatores externos, como guerra, no mercado brasileiro. O setor segue aquecido; é a lei da oferta e da procura”, afirma Marcelo Penha.
A tendência, pelo menos no curto prazo, ainda não é de queda. As projeções ao longo de 2026 apontam o preço da arroba entre R$ 330 e R$ 335. “A gente ainda tem tudo para manter a tendência de crescimento com o ciclo de alta da pecuária”, diz Penha.
FAEG – Federação da Agricultura do Estado de Goiás
Publicado em 19/03/2026 às 14:53h.
