Veja o que esperar do clima em todas as regiões brasileiras
O outono no Hemisfério Sul começa oficialmente no dia 20 de março de 2026, às 11h45, e se estende até 21 de junho, às 5h25, conforme o Prognóstico Climático divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia. A estação marca a transição entre o verão e o inverno, com redução gradual das chuvas no interior do Brasil e queda de temperaturas, sobretudo nas regiões Sul e Sudeste.
De acordo com o instituto, “é uma estação considerada de transição entre o verão quente e úmido e o inverno frio e seco, principalmente no Brasil central”. Nesse período, as precipitações tendem a diminuir no interior do país, especialmente no semiárido nordestino, enquanto áreas do Norte e do Nordeste ainda registram volumes significativos de chuva devido à atuação da Zona de Convergência Intertropical.
O relatório também destaca a ocorrência de fenômenos típicos da estação. “Observam-se as primeiras formações de fenômenos adversos, tais como: nevoeiros nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste; geadas nas regiões Sul e Sudeste e no Mato Grosso do Sul; neve nas áreas serranas e nos planaltos da Região Sul; e friagem no sul da Região Norte”, informa o prognóstico.
No cenário oceânico, o documento aponta mudanças nas condições do Pacífico Equatorial. Após a atuação do fenômeno La Niña entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, houve enfraquecimento das anomalias de temperatura da superfície do mar, indicando transição para neutralidade. Segundo o APEC Climate Center, há 84,6% de probabilidade de evolução para El Niño no trimestre de abril a junho.
Para a Região Norte, a previsão indica predominância de chuvas acima da média, com temperaturas também superiores aos padrões históricos em grande parte da área. No Nordeste, as chuvas tendem a ficar abaixo da média em diversos estados, como Bahia, Rio Grande do Norte e Paraíba, enquanto áreas do Maranhão e norte do Piauí podem registrar volumes mais elevados. As temperaturas devem permanecer acima da média em toda a região.
No Centro-Oeste, a tendência é de redução das chuvas a partir de abril, com volumes próximos da média em Goiás e Mato Grosso e abaixo da média em Mato Grosso do Sul. As temperaturas devem ficar acima da média histórica. No Sudeste, a previsão aponta chuvas abaixo da média em São Paulo e grande parte de Minas Gerais, com possibilidade de episódios pontuais de chuva no leste da região. As temperaturas também tendem a ficar acima da média, embora não se descarte a entrada de massas de ar frio.
Na Região Sul, o prognóstico indica chuvas abaixo da média e temperaturas acima dos padrões históricos, com possibilidade de incursões de ar frio ao longo da estação.
O boletim também avalia impactos para a produção agrícola. Segundo o INMET, “torna-se relevante avaliar os potenciais impactos desse cenário sobre as atividades agrícolas no Brasil”. Na Região Norte, as chuvas acima da média tendem a favorecer lavouras já estabelecidas, como o milho segunda safra, além de contribuir para pastagens.
No MATOPIBA, que abrange áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, a combinação de chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas pode reduzir a umidade do solo, com impacto sobre culturas de segunda safra, especialmente milho e algodão.
Já nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, a menor disponibilidade de chuva associada ao aumento da evapotranspiração pode causar estresse hídrico e afetar o desenvolvimento das lavouras em fases reprodutivas. No Sul, a tendência de menor volume de chuvas e temperaturas mais elevadas pode reduzir a umidade do solo, afetar culturas de segunda safra e dificultar o estabelecimento das lavouras de inverno.
Agrolink – Seane Lennon
Publicado em 19/03/2026 às 13:00h.
