Trigo enfrenta incertezas na produção
Os preços do trigo registraram nova alta no Brasil na semana de 17 a 23 de abril, De acordo com a análise divulgada pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema), nas principais praças do Rio Grande do Sul, as cotações ficaram em torno de R$ 62,00 por saca, enquanto no Paraná variaram entre R$ 66,00 e R$ 67,00.
Segundo o relatório, “os preços do trigo subiram mais um pouco”, refletindo um cenário de restrição na oferta e incertezas em relação à próxima safra. A preocupação do setor está ligada à redução da área a ser semeada no Brasil e também na Argentina, principal fornecedora do cereal.
De acordo com a análise, “consta que a Argentina, nossa principal fornecedora, também já sente os efeitos da alta nos custos de produção devido à guerra”. Esse contexto pode influenciar as decisões de plantio no país vizinho, com possibilidade de redução adicional da área destinada ao trigo. A estimativa atual indica queda de 200 mil hectares em relação ao ciclo anterior, totalizando 6,5 milhões de hectares.
O plantio na Argentina está previsto para iniciar em maio, mas há indicativos de que parte dos produtores pode optar por outras culturas de inverno ou migrar diretamente para a soja. Na última safra, o país registrou produção recorde de 27,8 milhões de toneladas.
No Brasil, a tendência de alta nos preços está associada à menor disponibilidade de produto de qualidade superior, ao aumento das cotações internacionais e à expectativa de redução da área plantada. O cenário gera incertezas para o setor tritícola.
Além disso, o relatório destaca que “desde o segundo semestre de 2025, os preços no Sul do País vêm sendo negociados abaixo dos patamares mínimos estabelecidos pela Política Nacional de Preços Mínimos, o que desestimula a produção”, fator que também pode impactar as decisões dos produtores para a próxima safra.
Agrolink – Seane Lennon
Publicado em 24/04/2026 às 18:22h.
