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Super El Niño acende alerta no agro: produtor deve rever riscos

Fenômeno acende alerta para produtores no Sul, Cerrado e Norte

O seguro agrícola deve ganhar mais espaço no planejamento do produtor rural diante de um cenário de maior instabilidade climática no Brasil. Em entrevista ao Agrolink, Martín Pacheco, Superintendente de Agronegócios da Sancor Seguros, aponta que o Super El Niño pode intensificar perdas por excesso de chuva no Sul e déficit hídrico no Cerrado e no Norte.

Seguro agrícola entra no centro da decisão

Segundo dados divulgados pela Sancor Seguros na entrevista, o El Niño tende a elevar o volume de chuvas no Sul do continente, com reflexos na Argentina, no Uruguai e no Sul do Brasil, principalmente no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Em menor intensidade, o fenômeno também pode alcançar o sul de Mato Grosso do Sul e de São Paulo.

No Cerrado e no Norte, o comportamento esperado é outro: menor regime de chuvas e aumento das temperaturas máximas. A preocupação, segundo Pacheco, está no prefixo “Super”, usado quando as temperaturas medidas no Índice 3.4 do Oceano Pacífico ficam mais de 2°C acima do normal. Esse quadro pode ampliar a severidade dos eventos climáticos, tanto por excesso de chuva quanto por déficit hídrico.

Risco climático muda conforme a região

No Sul, a chuva acima da média pode até favorecer parte dos produtores, já que a estiagem costuma ser um dos principais fatores de perda em culturas como sojamilho e trigo. Ainda assim, a instabilidade aumenta a exposição a enchentes em áreas ribeirinhas, granizo e tempestades.

Também há riscos indiretos. De acordo com informações divulgadas pela Sancor Seguros, chuvas frequentes durante a colheita podem elevar a incidência de doenças no trigo e comprometer a qualidade dos grãos de soja. Para Pacheco, porém, a maior preocupação está no Cerrado e no Norte, onde a falta de precipitação combinada a altas temperaturas pode afetar a soja, principal cultura plantada nessas regiões.

O impacto climático já pesa na estratégia de produtores e empresas. Segundo Pacheco, muitos agentes do setor usam previsões climáticas para redefinir manejo e buscar melhor equilíbrio financeiro diante de extremos, seja por excesso de chuva, seja por falta de água.

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No Sul, uma das respostas pode ser o aumento da área de milho por produtores do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do sul do Paraná. A cultura teria maior segurança em um cenário de melhor umidade, embora represente custo de produção por hectare mais alto que o da soja.

A recomendação central é diversificar. Isso vale para a escolha de culturas, como a inclusão do milho de verão na rotação no Sul, e para o escalonamento de datas de plantio no restante do país. Também entram na estratégia o uso de variedades de soja com genética mais estável e o manejo do solo para conservar umidade, com apoio de culturas de cobertura no inverno.

Seguro rural ainda é visto como custo

Para Pacheco, o produtor ainda precisa mudar a forma como enxerga o seguro agrícola. “Muitos produtores ainda não consideram o seguro agrícola como uma ferramenta de estabilidade produtiva. Muitas vezes, enxergam o seguro como um custo que atrapalha suas margens dentro da equação financeira”, afirma.

Ele avalia que a decisão de contratar seguro não deveria depender apenas das previsões climáticas. O motivo é que, embora elas tenham algum grau de precisão em escala global, perdem confiabilidade quando analisadas em nível regional e, principalmente, na realidade individual de cada propriedade.

“O fato é que o produtor não está isento de imprevistos climáticos, independentemente de qualquer previsão, e esses eventos podem comprometer significativamente suas finanças e sua continuidade na atividade produtiva”, diz Pacheco.

Crédito e seguro devem caminhar juntos

Segundo dados divulgados pela Sancor Seguros, o seguro agrícola permite ao produtor investir com mais segurança em tecnologias, insumos e processos. A lógica é trocar o crédito emergencial, usado para cobrir perdas climáticas, por crédito voltado à melhoria produtiva.

Pacheco destaca que tanto o governo federal quanto governos estaduais contribuem para a incorporação do seguro por meio de subsídios ao prêmio. A política de crédito também tem ajudado na adoção, inclusive pela obrigatoriedade em alguns casos. Ainda assim, ele avalia que a massificação será lenta, por exigir mudança cultural e esforço educacional de instituições de formação profissional e cooperativas.

O mercado segurador também tem tarefa pela frente. De acordo com dados divulgados pela Sancor Seguros na entrevista, mesmo com acesso a coberturas multirrisco, garantias consideradas robustas, preços competitivos e ajuda federal ou estadual no pagamento parcial do prêmio, o seguro agrícola ainda não supera 10% da área plantada no Brasil.

Para Pacheco, a evolução do setor está ligada ao crédito. “O modelo de crédito com seguro é, sem dúvida, o mecanismo que mais tem demonstrado crescimento na adoção do seguro, mas ainda precisa ser potencializado com novas legislações no âmbito público e novas decisões no âmbito privado”, afirma.

Na avaliação dele, cooperativas de crédito, bancos e cooperativas de produção podem ampliar a articulação com o mercado segurador. O objetivo é criar mecanismos que deem estabilidade financeira não apenas ao produtor, mas também às empresas envolvidas no agronegócio, especialmente diante de problemas como inadimplência e dificuldades no mercado de revendas de insumos.

Planejamento reduz exposição no campo

A orientação para o produtor é combinar seguro e manejo. O seguro transfere parte do risco climático à seguradora por meio do pagamento do prêmio e reduz a dependência do clima para fechar a equação financeira da safra sem prejuízos.

No manejo, Pacheco defende planejamento e distribuição de riscos. Isso inclui incorporar previsões climáticas à tomada de decisão, evitar concentração de estratégias e buscar estabilidade produtiva em diferentes cenários. Em um ambiente de extremos, a proteção financeira deixa de ser acessória e passa a fazer parte da continuidade da atividade rural.

Agrolink – Aline Merladete
Publicado em 27/05/2026 às 09:50h

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