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Queda no desmate esconde desafio maior

O desempenho é positivo diante do compromisso assumido pelo país no Acordo de Paris

A queda do desmatamento em 2025 reforça o avanço da agenda ambiental, mas também evidencia que a competitividade do agronegócio brasileiro dependerá cada vez mais de controle, rastreabilidade e comprovação técnica. A análise é de Breno Felix, zootecnista, CPO e cofundador da Agrotools, empresa de tecnologia e inteligência geoespacial para o agronegócio global.

Segundo o Relatório Anual do Desmatamento, divulgado pela rede colaborativa MapBiomas, o Brasil registrou redução de quase 21% na área desmatada em 2025. O resultado é o melhor dos últimos seis anos e ocorreu em todos os biomas, com retração de 17% no Cerrado e de 23,5% na Amazônia em relação a 2024. O Pantanal teve a maior queda proporcional, com recuo de 48,4%.

O desempenho é positivo diante do compromisso assumido pelo país no Acordo de Paris de zerar o desmatamento ilegal até 2030. Ainda assim, a leitura técnica exige cautela, porque o volume absoluto de vegetação suprimida continua elevado e a pressão internacional por cadeias produtivas rastreáveis tende a crescer.

Na prática, compradores globais, instituições financeiras e grandes tradings já avaliam as commodities brasileiras por critérios que vão além de produtividade e preço. Origem, conformidade ambiental e rastreabilidade territorial passaram a influenciar diretamente a análise de risco e a competitividade do setor.

A redução também reflete o avanço do monitoramento e das exigências de conformidade ambiental. A tecnologia ampliou a transparência sobre ativos ambientais antes dispersos em bases públicas, criando barreiras mais concretas contra irregularidades.

Nesse cenário, a integração de dados territoriais, ambientais, fundiários e regulatórios passa a ser central. Sistemas em escala e em tempo real serão cada vez mais importantes para comprovar a conformidade de fornecedores, acessar crédito especializado e atender exigências internacionais de exportação.

A Agrotools atua nesse movimento com inteligência territorial, sensoriamento remoto e imagens de satélite para monitorar a cobertura vegetal, identificar riscos ambientais, gerar alertas e rastrear a origem da produção agropecuária. Com regras mais rígidas para crédito rural, gestão de risco socioambiental e políticas de desmatamento zero, a conformidade territorial se consolida como ativo estratégico para o agro brasileiro.

Agrolink – Leonardo Gottems
Publicado em 16/06/2026 às 10:46h.

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