A avaliação é que há espaço para uma solução gradual
A exclusão do Brasil da lista europeia de países aptos a exportar alguns produtos de origem animal expõe falhas de planejamento regulatório. Segundo Maria Eduarda Blaiklock, estrategista do Agro Global, o país não deveria limitar a resposta às novas regras sobre antimicrobianos a dois extremos: proibir amplamente essas substâncias ou aceitar a interrupção das vendas de carne bovina por anos.
A avaliação é que há espaço para uma solução gradual, baseada em rastreabilidade, segregação, certificação e controle oficial. Fluxos com maior nível de informação, como animais identificados, propriedades habilitadas e lotes com histórico sanitário verificável, poderiam ser preservados enquanto o sistema fosse ampliado.
O risco de uma proibição geral é transferir para produtores e empresas o custo da falta de estrutura para comprovar conformidade. Já a saída do mercado europeu traria perdas comerciais e reputacionais.
A proposta é organizar garantias por camadas, integrar dados públicos e privados e negociar uma retomada progressiva conforme o nível de controle. Nesse cenário, a carne bovina se torna um teste da capacidade brasileira de transformar informação e evidência em confiança regulatória.
“O Brasil não precisa escolher entre se curvar à Europa ou ignorar a Europa. Precisa escolher entre continuar reagindo tarde ou finalmente construir uma inteligência regulatória compatível com o tamanho do seu agronegócio. Porque, no comércio internacional de alimentos, o futuro não será decidido apenas por quem produz mais. Será decidido por quem consegue provar melhor”, conclui ela, em um artigo publicado no LinkedIn.
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Publicado em 26/06/2026 às 10:02h.
