Na paridade no porto, somam-se Chicago e prêmio
O preço da soja no Brasil resulta da combinação de referências internacionais, câmbio e condições comerciais internas. As informações são do engenheiro agrônomo Gustavo Arantes. O valor recebido pelo produtor varia conforme região, comprador, prazo e entrega.
A Bolsa de Chicago, por meio dos contratos futuros da CBOT, é a principal referência internacional do grão. Na soja, uma saca de 60 quilos corresponde a cerca de 2,2046 bushels. Ainda assim, Chicago é apenas o ponto de partida, e não o preço final no Brasil.
Outro componente é o prêmio de exportação, que mostra quanto a soja brasileira, em determinado porto e período de embarque, é negociada acima ou abaixo de Chicago. Ele reage à demanda, à disponibilidade do produto, ao ritmo dos embarques e às condições logísticas. Por isso, meses diferentes podem ter valores distintos.
Como Chicago e prêmio são expressos em dólar, o câmbio interfere na conversão para reais. Uma alta da referência internacional pode ser neutralizada pela queda do dólar ou do prêmio. O inverso também ocorre, com Chicago em baixa e o preço brasileiro sustentado por fatores.
Na paridade no porto, somam-se Chicago e prêmio, converte-se o resultado para saca pelo fator 2,2046 e multiplica-se pelo dólar. No exemplo apresentado, US$ 10,50 por bushel, prêmio de US$ 0,80 e dólar a R$ 5,40 gerariam cerca de R$ 134,50 por saca.
Esse valor ainda passa por ajustes de frete, armazenagem, despesas operacionais, qualidade, prazo de pagamento e condições locais. A diferença entre o preço físico regional e uma referência futura comparável forma a base, que reúne efeitos logísticos, comerciais e regionais. Acompanhar apenas Chicago mostra somente parte da formação do preço e limita a análise de propostas e estratégias de venda e gestão de risco.
Agrolink – Leonardo Gottems
Publicado em 21/07/2026 às 02:00h.
