Os impactos sobre a agricultura, porém, devem ocorrer de forma desigual
As condições do El Niño no Pacífico voltam a colocar o setor agropecuário em alerta pelos possíveis efeitos sobre áreas produtoras e cadeias globais de alimentos. Segundo análise do Rabobank, assinada por Carlos Mera, há 81% de probabilidade de o fenômeno ganhar força e atingir intensidade muito elevada.
Os impactos sobre a agricultura, porém, devem ocorrer de forma desigual. Austrália, Sudeste Asiático e partes da África Ocidental aparecem entre as regiões mais expostas a riscos climáticos, enquanto grande parte da Argentina pode ser beneficiada por uma melhora no regime de chuvas ao longo do ciclo produtivo.
Entre as commodities agrícolas mais vulneráveis estão cacau, óleo de palma, açúcar, café robusta e grãos produzidos na Austrália. A possibilidade de condições adversas amplia a atenção sobre a oferta desses produtos, sobretudo em áreas com peso relevante na produção mundial e no comércio internacional.
Na proteína animal, o efeito mais claro já aparece no mercado de pescados. A redução das capturas de anchova no Peru diminuiu a disponibilidade de farinha e óleo de peixe, elevando os preços desses insumos em escala global. O movimento afeta cadeias que utilizam esses produtos na alimentação animal e mostra como alterações no Pacífico podem alcançar diferentes segmentos do mercado.
A análise indica que o El Niño não terá efeitos uniformes. Algumas regiões podem encontrar condições mais favoráveis, enquanto outras ficam mais expostas a perdas de produção, menor oferta e aumento de custos. O cenário mantém o mercado atento à evolução do fenômeno e aos reflexos sobre culturas e cadeias mais sensíveis.
Agrolink – Leonardo Gottems
Publicado em 22/07/2026 às 10:09h.
