Nos bioinsumos, o principal obstáculo está na regulação
A decisão de instalar operações agroindustriais no Paraguai não apresenta os mesmos resultados para todos os segmentos. Embora impostos menores, mão de obra mais barata e terra de menor custo ampliem a competitividade, parte dessas vantagens pode desaparecer quando a atividade depende de certificações, logística sensível, infraestrutura consolidada ou proteção jurídica.
Segundo análise de Fabio Sgarbi, profissional de estratégia, planejamento estratégico, novos modelos de negócios, estudos exploratórios de mercado e treinamento, a escolha deve passar por três critérios: a possibilidade de registrar ou certificar o produto fora do Brasil, a capacidade de atravessar a fronteira sem perda de valor e a compensação da estrutura já existente no mercado brasileiro.
Nos bioinsumos, o principal obstáculo está na regulação e na própria natureza do produto. O registro no MAPA envolve tanto o produto quanto o estabelecimento, enquanto microrganismos utilizados como princípio ativo podem perder eficiência com variações de temperatura e tempo de trânsito.
Na pecuária bovina voltada a mercados certificados, a rastreabilidade está vinculada ao país e às propriedades habilitadas. Levar a criação para o Paraguai significa operar sob regras e cotas locais, sem transferir as credenciais brasileiras.
Sgarbi também aponta limitações para sementes, produtos perecíveis e grandes operações de grãos. No primeiro caso, pesa a proteção da propriedade intelectual. No segundo, a cadeia de frio e a curta vida útil. Já nos grãos, a terra mais barata pode não compensar a perda de armazenagem, escala e acesso logístico acumulados no Centro-Oeste.
A análise indica que o Paraguai tende a ser mais atrativo quando o produto e a operação atravessam a fronteira sem perda de valor. Quando certificações, genética, infraestrutura ou características biológicas são decisivas, permanecer no Brasil pode ser mais competitivo.
Agrolink – Leonardo Gottems
Publicado em 23/07/2026 às 12:51h.
