O maior problema está na distribuição das estruturas
A expansão da produção de grãos voltou a expor um dos principais desafios logísticos do agronegócio brasileiro. Embora o país distribua a colheita ao longo do ano, a capacidade de armazenamento permanece abaixo do volume produzido e concentrada de forma desigual, ampliando gargalos em regiões de forte avanço agrícola.
A Companhia Nacional de Abastecimento estima que a safra 2025/2026 alcance 360,1 milhões de toneladas, alta de 2,2% sobre o ciclo anterior. Já a capacidade estática indicada pelo portal Armazéns do Brasil é de 228 milhões de toneladas.
Segundo a técnica da Conab Denise Deckers, essa diferença não significa, por si só, falta de espaço para receber os grãos. As condições geográficas permitem até três safras anuais de culturas como milho e feijão, favorecendo a rotatividade dos estoques. Assim, uma safra pode ser expedida antes da chegada da seguinte.
O maior problema está na distribuição das estruturas. Áreas de Mato Grosso e do oeste da Bahia enfrentam carência expressiva de unidades, situação que pode levar ao depósito de grãos a céu aberto e comprometer a logística e a conservação da produção.
Deckers avalia que, desde a década de 1990, a produção cresce mais rapidamente que a capacidade estática. Enquanto melhoramentos genéticos e técnicas de manejo elevam o rendimento das lavouras, produtores e governo ainda resistem a ampliar os investimentos em novos armazéns.
A especialista defende linhas de financiamento para cerealistas e projetos de armazenagem nos moldes do crédito rural, hoje restrito a cooperativas e produtores associados. Para ela, o estímulo à construção de estruturas nas propriedades pode melhorar a comercialização, reduzir gastos com frete, gerar empregos e movimentar a economia dos municípios produtores.
Agrolink – Leonardo Gottems
Publicado em 30/07/2026 às 14:39h.
