A partir de 2003, o crescimento passou a depender mais do uso de insumos
A agropecuária argentina ampliou fortemente sua produção nas últimas décadas, mas o avanço da produtividade perdeu intensidade a partir dos anos 2000. Entre 1961 e 2022, a produção mais do que triplicou, com crescimento médio de 2,6% ao ano, sustentado em grande parte por ganhos de eficiência no uso de terra, trabalho, capital e tecnologia.
Segundo estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento, o período de maior dinamismo ocorreu entre 1990 e 2002. Nessa fase, a produção cresceu 3,99% ao ano, enquanto a Produtividade Total dos Fatores respondeu por 3,29 pontos percentuais da expansão. O desempenho foi associado à liberalização, à desregulação e à adoção de plantio direto, cultivos geneticamente modificados e melhores práticas agronômicas.
A partir de 2003, o crescimento passou a depender mais do uso de insumos. Entre 2003 e 2015, a contribuição desses fatores chegou a 1,55% ao ano, enquanto os ganhos de produtividade recuaram para 1,60%. De 2016 a 2022, produção e produtividade avançaram cerca de 1% ao ano, o menor ritmo da série.
O relatório também aponta que a Argentina é o único país da América Latina com apoio líquido negativo ao agro. Entre 2020 e 2024, o setor transferiu ao restante da economia o equivalente a 1,8% do PIB, cerca de US$ 9,7 bilhões por ano. Entre 1997 e 2022, distorções de preços retiraram mais de US$ 190 bilhões do setor, enquanto serviços gerais e pesquisa receberam US$ 8,9 bilhões.
Para o BID, políticas que alteram os preços internos em relação aos internacionais têm relação negativa com a produtividade. Já investimentos em infraestrutura, pesquisa, sanidade e inovação aparecem associados a melhores resultados. O estudo não comprova causalidade direta, mas aponta importância da eficiência e da inovação para sustentar o crescimento.
Agrolink – Leonardo Gottems
Publicado em 12/08/2026 às 08:26h.
