O acompanhamento também deve considerar Santa Catarina
O mercado de arroz do Mercosul entra no ciclo 2026/27 com atenção aos possíveis efeitos climáticos sobre produção, qualidade e preços. Segundo Sergio Cardoso, analista da cadeia de arroz, um El Niño muito forte pode elevar os riscos para as lavouras mesmo onde o aumento das chuvas amplia a disponibilidade de água.
A análise destaca que a NOAA aponta mais de 90% de probabilidade de um El Niño muito forte entre o segundo semestre de 2026 e o início de 2027. De outubro a dezembro, a chance de o fenômeno atingir intensidade histórica é de 69%, superando eventos registrados desde 1950.
No Sul do Brasil e em outras áreas do Mercosul, mais chuva não significa necessariamente uma safra melhor. No arroz irrigado do Rio Grande do Sul, o excesso de precipitação pode atrasar o preparo e a implantação das lavouras, além de aumentar riscos de doenças e dificuldades operacionais. Na colheita, a umidade elevada pode afetar a qualidade dos grãos e o acesso às áreas.
Cardoso avalia que o El Niño não precisa provocar uma grande quebra de safra para influenciar os preços. Menor qualidade, perdas, atrasos, aumento do custo logístico e dificuldades de movimentação já podem alterar a relação entre oferta e demanda.
O acompanhamento também deve considerar Santa Catarina, Uruguai, Argentina e Paraguai, já que o Mercosul funciona como um sistema integrado de oferta. Outro fator é o estoque de passagem, que pode amortecer uma dificuldade climática quando elevado ou ampliar a reação dos preços quando mais ajustado.
O foco, portanto, passa a ser não apenas quanto vai chover, mas onde, quando, com qual intensidade e em que estágio estarão as lavouras. Ainda é cedo para falar em quebra, mas o risco climático já entra no radar do mercado de arroz 2026/27.
Agrolink – Leonardo Gottems
Publicado em 20/08/2026 às 10:44h.
