Para o Brasil, a mudança pode representar uma oportunidade de diferenciação
A intensificação de eventos climáticos na Europa amplia o peso da segurança alimentar e da sustentabilidade nas decisões econômicas e comerciais do continente. Segundo Sérgio Rocha, CEO e fundador da Agrotools, esse cenário tende a fortalecer a cobrança por produtos com origem comprovada e integridade ambiental, mesmo diante das pressões internas sobre a transição climática.
Nesse contexto, o Regulamento Europeu para Produtos Livres de Desmatamento, o EUDR, ganha relevância ao exigir comprovação de que mercadorias de cadeias como carne bovina, soja, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma não tenham origem em áreas desmatadas após 31 de dezembro de 2020 e respeitem a legislação do país produtor.
As exigências aumentam a necessidade de monitorar não apenas fornecedores diretos, mas também etapas anteriores das cadeias. Geolocalização, imagens de satélite, inteligência territorial e rastreamento de movimentações passam a ter papel estratégico na comprovação da origem.
Para o Brasil, a mudança pode representar uma oportunidade de diferenciação. A capacidade de demonstrar transparência, regularidade e conformidade ambiental pode ampliar o acesso a mercados e capital. Nesse novo cenário, produzir em escala continuará essencial, mas comprovar onde, como e em quais condições ocorreu a produção tende a ganhar peso competitivo.
“A grande oportunidade estará justamente na capacidade de trazer visibilidade aos elos que, durante muito tempo, permaneceram fora do campo de visão das empresas e dos sistemas tradicionais de controle. Porque, no novo comércio global, produzir será fundamental. Mas conseguir provar como, onde e sob quais condições se produziu poderá ser o verdadeiro diferencial competitivo”, conclui.
Agrolink – Leonardo Gottems
Publicado em 26/08/2026 às 16:05h.
