Para 2026/27, porém, o crescimento da produção brasileira deve desacelerar
A soja brasileira deve manter desempenho robusto em 2025/26, com volumes recordes apoiados pela produção elevada, pela demanda global e pela competitividade do produto nacional. Segundo análise da RaboResearch, do Rabobank, a safra é estimada em 182 milhões de toneladas, enquanto as exportações podem chegar a 114 milhões.
No mercado interno, o esmagamento deve atingir 63 milhões de toneladas, 4 milhões acima do ano passado. Mesmo com o adiamento da mistura obrigatória de biodiesel para 16%, a valorização do óleo de soja, impulsionada pelos preços altos do petróleo, sustenta margens atrativas para a indústria.
Nos Estados Unidos, o esmagamento deve alcançar recorde em 2025/26, mas as exportações tendem a recuar com a menor demanda chinesa. O cenário favorece o Brasil, reforça a procura pela soja nacional e ajuda a sustentar os preços. Em Rondonópolis, as cotações avançaram 5% no início de agosto ante o mês anterior.
Para 2026/27, porém, o crescimento da produção brasileira deve desacelerar. A projeção indica estabilidade da área plantada após mais de duas décadas de expansão, diante de menor rentabilidade, custos financeiros mais altos, crédito restrito e maior cautela. A estimativa inicial é de 178 milhões de toneladas, abaixo do recorde de 2025/26, principalmente pela normalização dos rendimentos após dois anos de produtividade excepcional.
Entre os riscos estão as relações comerciais entre Estados Unidos e China, a possível ocorrência de El Niño e a volatilidade dos custos dos insumos. A recuperação dos prêmios de exportação nos portos brasileiros pode reduzir a competitividade e limitar margens de esmagamento. Em Mato Grosso, o fim do vazio sanitário em 6 de setembro será acompanhado diante do risco de atraso das chuvas e de impactos sobre o plantio de 2026/27.
Agrolink – Leonardo Gottems
Publicado em 31/08/2026 às 02:30h.
