Na soja, o plantio deve avançar em cenários distintos
A safra 2026/27 começa marcada por um descompasso entre as condições observadas no campo, o comportamento dos preços e o resultado financeiro do produtor. A avaliação é de Ricardo Leite, superintendente executivo do Banco Safra, que destaca a influência de fatores produtivos, comerciais, cambiais e geopolíticos sobre as principais culturas.
Na soja, o plantio deve avançar em cenários distintos, com umidade mais favorável no Paraná e dependência de chuvas mais regulares em áreas do Centro-Oeste e do Norte. A diferença pode alterar o ritmo da semeadura, a colheita e a implantação da segunda safra. A valorização internacional também reflete as lavouras dos Estados Unidos, a atuação dos fundos, a demanda chinesa e os riscos geopolíticos.
A alta em Chicago, porém, não significa necessariamente maior ganho ao produtor brasileiro, pois os prêmios de exportação podem recuar. O resultado em reais depende ainda do câmbio, da logística e do momento da venda. No milho, a oferta disponível após a segunda safra ajuda a limitar a transmissão das altas externas ao mercado físico brasileiro.
No algodão, produtividade favorável não garante o mesmo desempenho em qualidade, que pode ser afetada pelo clima e influenciar os diferenciais de comercialização. No trigo, mesmo lavouras com bom desenvolvimento convivem com forte influência do risco sobre a oferta do Mar Negro, do câmbio e da paridade de importação.
Café e arroz reforçam o cenário. No café, estoques reduzidos, exportações, logística e qualidade mantêm a sensibilidade dos preços. No arroz, a recuperação das cotações convive com descapitalização, crédito restrito e incertezas climáticas. O início da safra mostra, assim, que produção, preços e resultado financeiro podem seguir trajetórias diferentes.
Agrolink – Leonardo Gottems
Publicado em 02/09/2026 às 02:45h.
