Capacitação no Paraná reforça boas práticas para elevar a qualidade da aplicação
A diversidade de culturas, as janelas apertadas de pulverização e a presença de áreas sensíveis tornam a tecnologia de aplicação um ponto de atenção para produtores e profissionais do campo. No Paraná, cuidados com a escolha das pontas, as condições meteorológicas e a regulagem dos equipamentos estão entre os fatores que podem contribuir para reduzir riscos e melhorar a qualidade das operações.
O tema ganhou espaço em uma capacitação sobre tecnologia de aplicação promovida pela Corteva Agriscience no Paraná, com treinamento realizado pela AgroEfetiva. A iniciativa teve como foco as boas práticas agrícolas e a disseminação de conhecimento técnico para profissionais que atuam como multiplicadores dessas informações no campo.
Segundo Vitor Romani, sócio proprietário da AgroEfetiva, a importância da tecnologia de aplicação cresce à medida que aumenta também a diversidade de produtos utilizados e de culturas presentes em uma mesma região.
O Paraná é um exemplo dessa complexidade. De acordo com Romani, durante o trabalho realizado no estado foram observados desafios relacionados especialmente às aplicações de herbicidas e inseticidas. Entre os pontos que exigem atenção estão áreas sensíveis a herbicidas hormonais, como regiões de videiras, além de localidades com criação do bicho da seda, que também podem ser impactadas em situações de deriva.
Escolha da ponta precisa considerar cada aplicação
Entre as questões discutidas durante a capacitação, a seleção da ponta de pulverização apareceu como um dos desafios práticos.
Romani explica que o tema já é conhecido no meio técnico, mas nem sempre o posicionamento adequado chega à operação. A escolha deve considerar o produto aplicado e as características necessárias para cada situação.
Na aplicação de herbicidas hormonais, por exemplo, ele cita a utilização de pontas de indução de ar, que geram gotas grossas, muito grossas ou extremamente grossas. A medida foi apresentada durante o treinamento como uma prática relacionada à redução do risco de deriva.
A orientação, no entanto, não significa que exista uma configuração que possa ser repetida da mesma forma em todas as propriedades.
“Não existe uma regra clara e receita de bolo para tecnologia de aplicação”, afirma Romani.
Segundo ele, um dos primeiros passos é conhecer os conceitos envolvidos na tecnologia de aplicação para, a partir deles, adaptar as decisões às características de cada área.
“Entender o conceito, adaptar e aplicar para a sua realidade é algo extremamente importante”, diz.
Para o especialista, conhecer os diferentes modelos de pontas disponíveis e compreender sua relação com a redução do risco de deriva também faz parte desse processo de tomada de decisão.
Condições meteorológicas entram na tomada de decisão
Outro desafio apontado durante o treinamento está relacionado às condições meteorológicas no momento da aplicação.
Segundo Romani, embora avaliar o clima seja uma recomendação conhecida, as janelas apertadas para realizar os tratamentos podem levar a pulverizações fora das condições consideradas ideais.
É nessas situações, afirma, que aumentam os problemas relacionados à deriva. Por isso, além de observar as condições meteorológicas, o profissional responsável pela operação precisa considerar as características do entorno da área que será pulverizada.
A atenção às propriedades vizinhas ganha relevância principalmente em regiões onde diferentes culturas e atividades produtivas dividem o mesmo espaço.
Durante a capacitação, um dos participantes citou a frequência com que o problema era observado em um local e o relato serviu como ponto de partida para uma discussão entre os participantes. Para Romani, a ocorrência de deriva não deve ser tratada como uma situação normal da atividade, especialmente diante das ferramentas disponíveis para reduzir esse risco.
Entre as possíveis consequências citadas pelo especialista estão danos a culturas vizinhas sensíveis e a aplicação de subdoses na própria lavoura de interesse.
Pressão e velocidade também interferem na pulverização
Além das decisões relacionadas ao produto, às pontas e ao clima, regulagens operacionais do pulverizador também entraram na discussão.
Uma delas é a pressão de trabalho. De acordo com Romani, a pressão está diretamente relacionada à geração das gotas, e equipamentos operando com pressão muito alta podem aumentar a quebra dessas gotas e, consequentemente, elevar o risco de deriva.
Outro ponto é a velocidade de deslocamento.
Segundo o especialista, em áreas mais irregulares, velocidades acima daquelas consideradas adequadas às boas práticas podem provocar maior oscilação da barra do pulverizador. Na prática, pressão e velocidade são dois exemplos de aspectos operacionais do dia a dia que podem interferir no resultado da aplicação.
Capacitação busca ampliar alcance das boas práticas
A capacitação realizada no Paraná surgiu, segundo Romani, da necessidade de preparar profissionais que pudessem multiplicar informações sobre aplicação correta e segura de herbicidas e inseticidas.
A ação contou com a participação de técnicos da Cocamar. De acordo com o entrevistado, esses profissionais atuam como replicadores do conhecimento e ajudam a ampliar o alcance dos conteúdos teóricos e práticos relacionados à tecnologia de aplicação e às boas práticas na pulverização.
A iniciativa integra, conforme apresentado na entrevista, um trabalho mais amplo da Corteva Agriscience voltado às Boas Práticas Agrícolas. A AgroEfetiva atua como parceira técnica da companhia na realização dessas capacitações.
Para quem está diretamente envolvido nas operações, a mensagem central é que a qualidade da pulverização resulta de uma combinação de decisões. Conhecer os princípios da tecnologia de aplicação, escolher a ponta de acordo com a situação, ajustar corretamente o equipamento, observar as condições meteorológicas e avaliar o entorno são cuidados que precisam ser adaptados à realidade de cada lavoura.
Em regiões marcadas pela diversidade de culturas e por diferentes condições operacionais, transformar conhecimento técnico em decisões adequadas a cada área permanece como um dos caminhos para avançar nas boas práticas de aplicação no campo.
Agrolink & Assessoria
Publicado em 08/09/2026 às 00:01h.
