Nos herbicidas ionizáveis, o pH ganha ainda mais importância
A presença de palhada sobre o solo pode alterar de forma significativa o comportamento dos herbicidas pré-emergentes e a quantidade de produto que chega à zona de germinação das plantas daninhas. Segundo o consultor Fabrício Krzyzaniak, a eficiência desse manejo não depende apenas da dose e do princípio ativo, mas também do caminho percorrido pela molécula após a aplicação.
Em áreas com grande volume de resíduos vegetais, parte do herbicida pode ser interceptada e permanecer retida sobre a palhada. A chegada ao solo passa a depender de fatores como ocorrência de chuva, solubilidade em água e características próprias de cada molécula.
Depois de atingir o solo, a matéria orgânica passa a exercer papel importante nesse processo. Um dos indicadores utilizados para compreender esse comportamento é o Koc, que representa a afinidade do herbicida pelo carbono orgânico. Em geral, quanto maior o Koc, maior tende a ser a sorção da molécula e menor sua mobilidade no perfil do solo.
Essa diferença ajuda a explicar por que moléculas como pendimethalin e trifluralin apresentam comportamento distinto de produtos como metribuzin. No entanto, o Koc não deve ser analisado isoladamente. Fatores como pH, pKa, solubilidade em água, quantidade e qualidade da palhada, teor de matéria orgânica, umidade e chuva após a aplicação também interferem na disponibilidade do herbicida.
Nos herbicidas ionizáveis, o pH ganha ainda mais importância, já que mudanças nesse fator podem alterar a ionização, a sorção e a mobilidade da molécula. A avaliação conjunta do herbicida, do solo e das condições ambientais é, portanto, essencial para um posicionamento mais adequado do produto e para entender seu comportamento após a aplicação.
Agrolink – Leonardo Gottems
Publicado em 10/09/2026 às 02:45h.
