Diretor da Brasoja destaca queda nos estoques mundiais de milho
Diretor da Brasoja destaca queda nos estoques mundiais de milho, aumento da produção de soja e mantém atenção voltada ao clima, à política e ao cenário internacional
O novo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) sobre a produção mundial de grãos não trouxe grandes novidades para o mercado, na avaliação de Antonio Sartori, diretor da Brasoja. Ao comentar os números divulgados nesta sexta-feira, ele destacou principalmente a redução dos estoques mundiais de milho, o crescimento da produção de soja e a necessidade de acompanhamento mais próximo das condições climáticas e do cenário geopolítico.
No milho, Sartori chamou atenção para a queda da produção global em relação ao ciclo anterior. Segundo ele, o mundo colheu 1,235 bilhão de toneladas há dois anos e 1,330 bilhão de toneladas no ano passado. Para a safra atual, a projeção é de 1,290 bilhão de toneladas.
“São 40 milhões de toneladas a menos do que no ano passado”, afirmou.
A redução também aparece nos estoques mundiais do cereal. Conforme Sartori, o volume, que encerrou o último ciclo em 301 milhões de toneladas, está projetado em 272 milhões de toneladas neste ano.
“Isso representa 29 milhões de toneladas a menos do que no ano passado”, observou.
Apesar da redução na oferta e nos estoques, Sartori ressaltou que o consumo global de milho segue forte. No Brasil, segundo ele, a demanda é sustentada pela produção de ração, alimentação animal e humana e, principalmente, pela indústria de etanol.
Na soja, o cenário é de crescimento na produção mundial. Sartori destacou que foram colhidas 428 milhões de toneladas há dois anos e 429 milhões de toneladas no ciclo passado. Para este ano, a estimativa apresentada é de 442 milhões de toneladas, com aumento tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.
Mesmo com uma produção maior, os estoques globais permanecem praticamente estáveis. Segundo Sartori, o estoque mundial de soja passou de 125,3 milhões de toneladas no fim do último ano agrícola para uma projeção de 124 milhões de toneladas no ciclo atual.
A demanda chinesa também continua elevada. Sartori lembrou que a China importou 108 milhões de toneladas de soja há dois anos, 113 milhões de toneladas no ano passado e deverá chegar a 115 milhões de toneladas neste ano agrícola.
“Estamos olhando para um cenário em que não há nenhuma grande novidade”, avaliou.
Em relação à safra norte-americana, o diretor da Brasoja considerou pequena a alteração apresentada no relatório. A estimativa para a produção de soja nos Estados Unidos passou de 123 milhões para 123,4 milhões de toneladas.
“Subiu 400 mil toneladas. Não é uma mudança significativa”, afirmou.
Sartori também citou as avaliações realizadas recentemente nas áreas produtoras dos Estados Unidos. Segundo ele, levantamentos de campo já indicavam uma safra de maneira geral positiva, apesar de problemas pontuais provocados por falta ou excesso de chuva.
“O relatório técnico mostrou que, mesmo com problemas localizados de falta de chuva e também de excesso de chuva, a safra americana, de maneira geral, era boa e cheia”, disse.
Outro ponto abordado foi a reação da Bolsa de Chicago após o anúncio de uma nova venda de soja dos Estados Unidos para a China. Segundo Sartori, o mercado subiu cerca de 20 pontos após a divulgação da negociação de 1 milhão de toneladas.
Para ele, no entanto, o movimento não altera os fundamentos do mercado.
“Isso não muda nada. A China vai importar 115 milhões de toneladas, e os Estados Unidos vão vender para a China algo entre 24 milhões e 25 milhões de toneladas”, afirmou.
Sartori acrescentou que, após a alta registrada anteriormente, os contratos em Chicago voltaram a operar em queda, reforçando sua avaliação de que a nova venda não provocou uma mudança estrutural no mercado.
Com poucas alterações relevantes nos fundamentos de oferta e demanda, o diretor da Brasoja considera que a atenção do setor deve se voltar principalmente para o clima nos próximos meses.
“Nosso foco de atenção é a preocupação com o El Niño. As consequências já estão sendo sentidas e dependem dos ventos e de outros fatores atmosféricos que podem mexer com o nosso clima, principalmente no Sul da América do Sul”, afirmou.
Segundo Sartori, o cenário pode trazer excesso de chuva para algumas regiões e falta de precipitações em outras, especialmente no Centro-Oeste brasileiro.
Além do clima, ele destacou que fatores políticos e econômicos também aumentam a complexidade do momento. Entre os pontos citados estão as eleições no Brasil, decisões do Supremo Tribunal Federal, o quadro geopolítico internacional, o preço do petróleo, os fertilizantes e a disponibilidade de insumos.
“O quadro é bastante complexo. Por isso, existe a necessidade de acompanharmos o mercado com informações confiáveis”, concluiu Sartori.
Agrolink – Aline Merladete
Publicado em 11/09/2026 às 14:02h.
