Entidade pede ação imediata da ANP para garantir combustível
A falta de diesel no Rio Grande do Sul volta a preocupar o setor no início do plantio da safra de verão. Nesta segunda-feira, 14 de setembro de 2026, a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) encaminhou um ofício ao diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Artur Watt Neto, pedindo providências diante de novos relatos de restrições e atrasos na entrega do combustível aos produtores rurais.
A preocupação está relacionada principalmente ao momento da safra, com uma janela agronômica limitada para a implantação das culturas, atrasos no abastecimento podem impedir que operações mecanizadas sejam realizadas no período adequado. De acordo com a Farsul, a situação pode provocar atraso no plantio, redução da área cultivada e impactos sobre a produtividade.
O alerta também é reforçado pelo histórico recente. Segundo a entidade, problemas semelhantes foram registrados entre março e abril deste ano, durante a colheita de arroz e soja. Naquele período, mesmo com a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap) operando normalmente e com estoques considerados suficientes no estado, houve limitações no fornecimento para produtores, Transportadores-Revendedores-Retalhistas (TRRs), postos e municípios.
As restrições chegaram a interromper operações agrícolas e atingiram cerca de 170 municípios, conforme informado pela Farsul. A entidade relata ainda que o preço do diesel chegou a alcançar R$ 9,00 por litro em algumas comercializações, enquanto as dificuldades de abastecimento também afetaram serviços públicos essenciais. O impacto de uma nova escalada dos preços pode ser expressivo para as lavouras gaúchas. Estudos da Assessoria Econômica da Farsul indicam que uma alta de 21,1% no diesel S10, passando de R$ 5,97 para R$ 7,23 por litro, poderia acrescentar R$ 612,2 milhões aos custos diretos das operações mecanizadas das principais culturas do estado. Em uma situação mais crítica, com o litro do combustível chegando a R$ 9,00, as perdas potenciais poderiam alcançar R$ 1,47 bilhão, segundo os cálculos divulgados pela entidade.
Além do impacto direto sobre as propriedades rurais, a Farsul ainda salienta os efeitos ao longo da cadeia. O aumento do diesel eleva tanto os custos de produção quanto as despesas de transporte, com possibilidade de reflexos sobre a economia e sobre os preços dos alimentos pagos pelo consumidor.
Outro ponto levantado no documento é a diferença entre os preços praticados no mercado brasileiro e a referência internacional. Conforme boletim da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), citado pela Farsul, o preço nacional do diesel permaneceu abaixo da paridade de importação durante todo o mês de agosto, com defasagem de até R$ 2,56 por litro. A entidade também menciona a subvenção de R$ 1,00 por litro anunciada pelo Governo Federal em 9 de setembro. Para a Farsul, a medida precisa se converter rapidamente em maior disponibilidade do combustível, regularidade nas entregas e redução de preços.
Diante do risco para o calendário agrícola, a Federação solicita que a ANP fiscalize imediatamente as distribuidoras que atuam no Rio Grande do Sul, com atenção ao atendimento dos TRRs, postos independentes e municípios do interior. A Farsul também pede a divulgação regionalizada dos estoques, dos pedidos recebidos, dos volumes entregues, das recusas e dos prazos de atendimento, além de esclarecimentos sobre os critérios utilizados pelas distribuidoras para definir a destinação dos volumes disponíveis.
Entre as demais solicitações estão a investigação de possíveis recusas injustificadas de fornecimento, retenção de produto, discriminação entre compradores ou limitações artificiais da oferta. A Federação pede ainda informações sobre o calendário de importações e sobre os efeitos práticos da subvenção anunciada pelo Governo Federal.
O documento solicita também que a ANP apresente os resultados das apurações realizadas após os problemas registrados entre março e abril e estabeleça um plano de contingência para períodos considerados críticos para o agronegócio gaúcho, especialmente durante o plantio e a colheita.
Agrolink – Aline Merladete
Publicado em 14/09/2026 às 13:52h.
