A restrição já afeta a atividade frigorífica
O esgotamento da cota de exportação de carne bovina para a China ampliou as dificuldades de comercialização do gado e pode justificar a prorrogação de dívidas rurais. A avaliação é do advogado Julio César Nascimento Bornelli, sócio fundador da banca Luz, Castro e Bornelli Advogados, em artigo publicado no portal Direito Rural.
A cota brasileira de 1,106 milhão de toneladas para 2026 foi atingida em 29 de setembro. Desde 1º de outubro, a carne excedente está sujeita a uma tarifa adicional de 55%, elevando a tributação total para 67%. A medida faz parte de uma salvaguarda comercial que permanece em vigor até 2028.
A restrição já afeta a atividade frigorífica. Desde julho, empresas como Frigol, Better Beef, Iguatemi Beef, Plena Alimentos e Astra Foods anunciaram férias coletivas ou suspensão parcial de abates. Segundo a Abiec, os embarques para a China recuaram cerca de 90% em agosto.
Nesse cenário, o item 2-6-4 do Manual de Crédito Rural permite prorrogar financiamentos, mantendo os encargos contratados, quando o produtor comprova dificuldade temporária de pagamento decorrente de problemas na comercialização. A Lei 7.843/1989 também assegura o alongamento em situações de falta de mercado ou rendimento insuficiente para quitar a dívida.
Outro fator considerado é o custo de reposição. Conforme o Cepea, em setembro, o pecuarista paulista precisava de 9,7 arrobas de boi gordo para comprar um bezerro, pior relação de troca desde 2021.
Para solicitar a prorrogação, o produtor deve apresentar documentos que comprovem o impacto financeiro, como avisos de suspensão de abates, histórico de vendas, cotações e projeções de fluxo de caixa. A orientação é formalizar o pedido antes do vencimento, demonstrando a dificuldade temporária de pagamento e a viabilidade futura da atividade. Cada situação exige análise individual.
Agrolink – Leonardo Gottems
Publicado em 06/10/2026 às 02:59h.
