Várzea Grande contraria tendência e aparece entre os dez municípios brasileiros com maior crescimento das vendas
Fonte jornal o Diário de Cuiabá/ Reportagem Joanice de Deus
As tarifas comerciais impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, provocaram perdas nas exportações de 23 municípios de Mato Grosso, mas Várzea Grande conseguiu contrariar a tendência de retração e ampliar suas vendas ao mercado norte-americano.
A cidade da Região Metropolitana de Cuiabá aparece entre os dez municípios brasileiros que mais aumentaram suas exportações, no período analisado
Os dados constam do estudo Efeitos do Tarifaço Americano nas Exportações dos Municípios nos Últimos 12 Meses, divulgado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), que avalia os impactos das sobretaxas aplicadas aos produtos brasileiros desde agosto de 2025.

Em Mato Grosso, as exportações para os Estados Unidos passaram de US$ 367,3 milhões, entre agosto de 2024 e julho de 2025, para US$ 327,1 milhões nos 12 meses seguintes, encerrados em julho de 2026.
A redução foi de 10,9%, equivalente a aproximadamente US$ 40,1 milhões em vendas externas.
O levantamento mostra que, dos 142 municípios mato-grossenses, 34 mantiveram relações comerciais diretas com o mercado norte-americano nos dois períodos analisados.
Desse grupo, 23 cidades, o equivalente a 65%, registraram queda nas exportações.
O ouro aparece como o principal produto afetado pelas restrições comerciais no Estado.
A CNM não divulgou, no material apresentado, a relação completa dos municípios mato-grossenses que tiveram perdas.
DESTAQUE POSITIVO – Enquanto a maioria das cidades exportadoras enfrentou retração, outros 11 municípios de Mato Grosso conseguiram ampliar suas vendas aos Estados Unidos.
O principal destaque foi Várzea Grande, que alcançou a décima posição no ranking nacional dos municípios com maior crescimento das exportações.
O desempenho foi impulsionado principalmente pelo comércio de proteína animal, com destaque para carnes e miudezas comestíveis.
Segundo o levantamento, esses produtos responderam por US$ 79,9 milhões em vendas externas, colocando o município entre os principais exemplos de crescimento comercial em meio às dificuldades provocadas pelas barreiras tarifárias.
Além de Várzea Grande, aparecem entre os dez municípios brasileiros destacados pela expansão das exportações Pindamonhangaba (SP), Japaratuba (SE), Petrópolis (RJ), Mozarlândia (GO), Piracicaba (SP), Vila Velha (ES), São José dos Campos (SP), Guarulhos (SP) e São Francisco do Conde (BA).
O resultado de Várzea Grande demonstra que os efeitos das medidas comerciais norte-americanas não foram uniformes, variando conforme a composição das exportações e as condições de acesso de cada setor ao mercado internacional.
IMPACTO NACIONAL – Em todo o Brasil, o tarifaço atingiu negativamente 1.135 dos 1.643 municípios exportadores analisados pela CNM.
Segundo a entidade, as perdas econômicas chegaram a R$ 66,8 bilhões, com impactos especialmente sobre as cadeias produtivas de petróleo, café, suco de laranja, ferro-gusa e silvicultura.
O levantamento aponta que as exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos atingiram, entre agosto de 2025 e julho de 2026, o menor patamar desde 2021.
A participação norte-americana nas exportações nacionais recuou de 12,3% para 9,4%, indicando uma redução da importância relativa daquele mercado nas vendas externas brasileiras.
Regionalmente, o Sudeste concentrou a maior parte das perdas, com São Paulo e Minas Gerais respondendo por 71% dos prejuízos identificados no estudo.
Já a região Sul apresentou a maior retração percentual, de 32,3%.
DIVERSIFICAÇÃO – Para a Confederação Nacional de Municípios, os resultados reforçam a necessidade de reduzir a dependência das economias locais em relação a poucos compradores internacionais.
A entidade alerta que o avanço do protecionismo, a imposição de barreiras sanitárias e as tensões geopolíticas podem produzir efeitos prolongados sobre a atividade econômica, a arrecadação municipal e a manutenção dos empregos.
Nesse cenário, a diversificação dos produtos exportados e a abertura de novos mercados são apontadas como estratégias para diminuir a exposição das cidades às mudanças nas políticas comerciais de outros países.
A CNM também recomenda o fortalecimento do mercado interno e a busca de novos parceiros comerciais, como forma de ampliar a capacidade de reação dos municípios diante de eventuais restrições internacionais.
Para Mato Grosso, os números revelam dois movimentos distintos: de um lado, a perda de receitas comerciais em municípios afetados pelas tarifas; de outro, o crescimento das exportações de cidades como Várzea Grande, impulsionado pelo setor de proteína animal.
O contraste evidencia a importância da composição da pauta exportadora para determinar os efeitos das barreiras comerciais sobre as economias municipais.
