A Santa Casa já foi informada sobre a possibilidade de paralisação pelos profissionais
(Foto – Arquivo)
Médicos da Santa Casa de Rondonópolis podem iniciar uma greve a partir do próximo dia 12 de março. Os profissionais já aprovaram um indicativo de greve de 15 dias e não descartam a paralisação.
A categoria cobra pagamentos de salários em atraso, que em alguns casos, segundo a categoria, já chegam há 8 meses. A Santa Casa já foi informada sobre a possibilidade de paralisação pelos profissionais.
A paralisação foi aprovada na última segunda-feira (24), durante assembleia realizada para tratar do assunto.
O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM/MT) informou ontem (27) que os médicos irão suspender os atendimentos de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), particulares e de convênios médicos. “A medida foi motivada pelo atraso de oito meses nos pagamentos devidos aos profissionais por parte da direção da unidade”, aponta.
Além de não receberem há oito meses, os médicos destacam “a ausência de diálogo por parte do Conselho de Administração da Santa Casa, que não apresenta nenhuma previsão para a quitação dos valores em atraso nem tampouco um planejamento para o pagamento dos débitos”.
Na maioria dos casos, conforme foi repassado, os profissionais que seguem atuando na unidade estão sem receber os honorários desde junho do ano passado.
Com a paralisação, só serão atendidos casos de urgência e emergência, evitando assim riscos à população. Nos setores críticos como a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), não serão admitidos novos pacientes e aqueles que estão internados serão assistidos até que haja a alta ou a transferência para outra unidade. Todas as medidas tomadas pelos profissionais foram comunicadas à direção da Santa Casa e aos órgãos competentes, como CRM/MT.
Presidente do Conselho, Diogo Sampaio, destacou que a grave situação vivida pelos médicos que atuam na Santa Casa se arrasta há meses e chegou a um ponto insustentável.
“Estamos acompanhando e atuando para solucionar os problemas desta unidade há mais de um ano. No início de fevereiro, recebemos uma consulta a respeito da paralisação e emitimos um parecer com as diretrizes para que isso ocorra. É inaceitável tamanho atraso e a ausência de qualquer medida que vise a regularização desta dívida”, salientou.
Sampaio pontuou que os problemas existentes na Santa Casa vão além da questão salarial e colocam em risco até mesmo a segurança do ato médico.
“Em novembro do ano passado, inclusive, por unanimidade, o Conselho realizou a interdição ética das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) Pediátrica e Neonatal, do alojamento e da Sala de Parto, pela ausência de profissionais em número suficiente para atender os pacientes que buscam a unidade”, lembrou.
Já naquele momento havia relatos de profissionais que estavam sem receber pelos serviços prestados. “E a promessa da direção era a de que no início do ano esta questão estaria solucionada. Logicamente que isso não ocorreu e os médicos estão no limite, não restando outra atitude que não a paralisação dos atendimentos”, destaca o presidente do CRM-MT.
Conselheiro do CRM-MT, o médico Rafael Mederi afirma que desde a interdição a única mudança que ocorreu na situação da unidade foi a troca na diretoria executiva. “Infelizmente, isso não se traduziu em uma resolução de um problema grave e crônico da Santa Casa que é o atraso de pagamento”.
Outro lado
O A TRIBUNA entrou em contato com a assessoria de imprensa da Santa Casa que informou que uma reunião deve ocorrer com a secretária municipal de Saúde, Tânia Balbinotti, para se buscar uma forma de evitar a paralisação. Até o fechamento desta edição, no entanto, a Santa Casa não havia confirmado o horário da reunião. (Com informações da assessoria)
Por A Tribuna. 28 de fevereiro de 2025