A Petrobras diminuiu sua necessidade de compras externas no segundo trimestre.
O mercado brasileiro de diesel passou por uma mudança importante na origem das cargas importadas em julho. Enquanto os embarques russos destinados ao Brasil recuaram, refinarias indianas ampliaram o fornecimento do combustível, em meio a restrições na oferta internacional e a margens elevadas de refino.
Dados de rastreamento de navios da consultoria Kpler indicam que as exportações indianas de diesel para o Brasil estavam a caminho de alcançar 2,8 milhões de barris em julho, o maior volume em 11 meses. As cargas foram programadas a partir das refinarias de Jamnagar e Vadinar.
No mesmo período, os embarques russos de diesel para o Brasil caíram para o menor nível em quase quatro anos. A mudança ocorreu depois de a Rússia restringir as exportações do combustível, enquanto ataques a refinarias e tensões no mercado de energia reduziram a disponibilidade mundial.
A Rússia prorrogou as restrições sobre exportações de diesel, gasolina e outros combustíveis até 31 de janeiro de 2027. A medida prevê, entretanto, que produtores russos possam voltar a exportar diesel a partir de 1º de setembro. Também foram mantidas exceções para acordos entre governos e operações humanitárias.
A ampliação das compras da Índia não significa, por si só, que o diesel ficará mais caro no Brasil. O efeito final dependerá do valor negociado para cada carga, dos custos marítimos, do câmbio, da disponibilidade de produto nacional e das margens praticadas ao longo da cadeia.
A mudança pode até ampliar a diversificação do fornecimento brasileiro, reduzindo a dependência de uma única origem. Por outro lado, também mostra que importadores precisam disputar cargas em um mercado no qual Europa e países asiáticos procuram o mesmo combustível.
A Petrobras diminuiu sua necessidade de compras externas no segundo trimestre. As importações de derivados da estatal ficaram próximas de 67 mil barris por dia, enquanto as importações de diesel recuaram 85% em relação ao mesmo período de 2025.
As refinarias da companhia operaram, em média, a 102,5% de sua capacidade nominal em abril e maio. Segundo a empresa, o maior uso das unidades de refino ajudou a elevar a oferta doméstica em um momento de preços internacionais elevados. Os dados se referem às operações da Petrobras e não representam a totalidade das importações brasileiras realizadas por outros agentes.
De acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, o Brasil adota o regime de liberdade de preços na produção, distribuição e revenda de combustíveis. O valor pago pelo consumidor pode variar conforme os preços das refinarias, tributos, custos operacionais, participação de biocombustíveis e margens de distribuição e revenda.
Para o agronegócio, a preocupação está na possibilidade de uma alta internacional persistente chegar aos custos de transporte. Diesel mais caro pode pressionar o escoamento da segunda safra de milho, o transporte de algodão, a entrega de fertilizantes e o deslocamento de máquinas nas propriedades.
Esse repasse, entretanto, não ocorre de forma imediata nem uniforme. Uma maior produção das refinarias nacionais, a valorização do real ou a contratação de cargas mais competitivas podem reduzir o impacto. Em sentido contrário, novas restrições internacionais, fretes marítimos elevados ou desvalorização cambial podem aumentar a pressão.
O fato confirmado é que o Brasil mudou parcialmente seus fornecedores em julho. O efeito dessa mudança sobre o preço nas bombas e sobre o frete agrícola precisará ser acompanhado nas próximas pesquisas da ANP e nos contratos de transporte. Neste momento, não há base suficiente para afirmar que a troca de origem já tenha provocado uma alta específica no custo do frete rural.
Redação Agrolink
Publicado em 01/08/2026 às 13:41h.
