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Clima nos EUA muda tudo para o agro brasileiro

O algodão também passou por correção

Os mercados agrícolas começaram junho em um ambiente de maior complexidade, marcado pela combinação entre clima, câmbio, atuação de fundos especulativos e política comercial. A avaliação é de Ricardo leite, superintendente executivo do Grupo Safra.

Nos Estados Unidos, a melhora das condições climáticas nas principais regiões produtoras reduziu parte do prêmio de risco para soja e milho. Em momentos de maior sensibilidade ao clima, atualizações sobre chuvas, umidade do solo e desenvolvimento das lavouras tendem a mudar rapidamente a percepção sobre a oferta global e influenciar as cotações em Chicago.

No Brasil, a leitura segue mais cautelosa. Mesmo quando os preços externos recuam, o mercado interno pode encontrar sustentação no câmbio, no ritmo de comercialização, na disponibilidade regional e no avanço da colheita. Esse comportamento reforça que a formação de preços no agro depende de um conjunto de variáveis e não apenas de um fator isolado.

No trigo, o cenário externo permanece pressionado por melhores condições produtivas no Hemisfério Norte e pelo avanço da colheita norte-americana. No mercado brasileiro, porém, a oferta mais restrita e a postura cautelosa dos produtores contribuem para uma maior resistência das cotações domésticas.

O algodão também passou por correção, influenciado pela melhora das lavouras dos Estados Unidos e pela competição com fibras sintéticas. Ao mesmo tempo, iniciativas norte-americanas para fortalecer a cadeia algodoeira indicam que competitividade no agro também envolve política industrial, demanda interna e estratégia comercial.

No café, além dos fundamentos de oferta e demanda, cresce a atenção sobre possíveis medidas comerciais envolvendo produtos brasileiros nos Estados Unidos, especialmente em segmentos industrializados. Já o arroz brasileiro segue em cenário mais desafiador, com ampla oferta, consumo doméstico limitado e necessidade de maior fluidez comercial.

“Clima, câmbio, fundos, demanda internacional, política comercial, logística e gestão de risco precisam ser avaliados em conjunto. Mais do que tentar antecipar movimentos de curto prazo, o produtor e toda a cadeia precisam fortalecer governança, planejamento comercial, controle de liquidez e tomada de decisão”, conclui

Agrolink – Leonardo Gottems
Publicado em 10/06/2026 às 02:15h.

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