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Demografia muda cenário para commodities

A distância entre a realidade e as projeções chama atenção no caso chinês

A queda das taxas de fertilidade em diferentes países tem avançado em ritmo mais intenso do que o previsto e começa a alterar premissas usadas em análises de mercado. A avaliação é de Marcos Rubin, CEO e fundador da Veeries, que acompanha a revisão dos dados demográficos em uma série de publicações sobre o tema.

Segundo a análise, nenhum país monitorado pela ONU apresenta hoje taxa de fertilidade compatível sequer com os cenários mais pessimistas projetados cinco anos atrás. Na prática, isso significa que, em praticamente todos os casos, os números ficaram abaixo da pior expectativa considerada anteriormente.

Para que uma população mantenha crescimento no longo prazo, a taxa de fertilidade total precisa ficar acima de 2,1 filhos por mulher. Entre os exemplos citados, a Nigéria ainda registra índice de 4,5, enquanto a Índia está em 2,0, ligeiramente abaixo da taxa de reposição. O Brasil chegou a 1,6. Na China, a taxa está em 1,0, e os censos mais recentes já indicam uma população em declínio.

A distância entre a realidade e as projeções chama atenção no caso chinês. Cinco anos atrás, a expectativa era de que a fertilidade do país estivesse agora entre 1,7 e 1,9 filho por mulher. O resultado atual mostra uma diferença considerada expressiva e reforça a percepção de que as estimativas vêm sendo revisadas para baixo a cada novo ciclo.

Rubin observa que novas revisões devem apontar números ainda menores no próximo ano. Esse movimento é tratado por especialistas como colapso populacional. Seus efeitos sobre o mercado não devem aparecer de forma imediata, mas tendem a ganhar relevância no horizonte de cinco a dez anos, especialmente para agentes que ainda não incorporaram essa tendência aos seus modelos.

No agronegócio, a implicação é direta. Projetar crescimento da demanda global por alimentos como se a tendência demográfica seguisse trajetória linear pode levar a erro de premissa. O motor populacional que sustentou parte do avanço das commodities nas últimas décadas mostra perda de força em ritmo mais rápido do que o esperado.

Agrolink – Leonardo Gottems
Publicado em 16/06/2026 às 15:08h.

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