“Voar é relativamente simples porque estamos falando de um robô autônomo”
Uma campanha marcada por chuvas acima da média pode ampliar o uso de Drones agrícolas nas pulverizações, principalmente quando o excesso de água impede a entrada de máquinas terrestres. A tecnologia permite realizar aplicações no momento adequado, mas exige capacitação, planejamento e ajustes específicos para garantir eficiência.
Segundo Matías Fernández Koller, chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Bidcom Agro, o voo é uma das etapas mais simples, já que os equipamentos operam de forma autônoma. O principal desafio está na configuração dos parâmetros de aplicação, no preparo da mistura e na calibração.
“Voar é relativamente simples porque estamos falando de um robô autônomo. A pessoa indica qual é a área, gera o plano de voo, inicia a operação e ele volta sozinho. No entanto, é muito importante se capacitar na configuração dos parâmetros de aplicação”, comenta.
A possibilidade de entrar no lote mesmo com solo encharcado pode evitar atrasos no controle de plantas daninhas, pragas e doenças. Também reduz o pisoteio da lavoura e os riscos de compactação e formação de marcas no solo pela passagem de máquinas pesadas.
Por outro lado, os drones trabalham com volumes menores de água e soluções mais concentradas. Como a pulverização ocorre a alguns metros do alvo, vento e condições ambientais também influenciam fortemente o comportamento das gotas. Por isso, a tecnologia não deve ser vista apenas como substituta da pulverização terrestre, mas como ferramenta complementar.
A adoção vem avançando rapidamente. Estimativas da Bidcom Agro indicam que o parque brasileiro de drones agrícolas teria passado de cerca de 100 unidades em 2023 para aproximadamente 3 mil em 2026.
Agrolink – Leonardo Gottems
Publicado em 08/10/2026 às 02:45h.
