Importações da Argentina pesam na balança
As exportações de feijão do Paraná recuaram no primeiro semestre de 2026, em movimento contrário ao registrado no restante do país. Os dados constam no Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgado nesta quinta-feira (23).
Segundo o Deral, o Paraná embarcou 11,8 mil toneladas de feijão entre janeiro e junho deste ano, ante 33,7 mil toneladas no mesmo período de 2025. No cenário nacional, as exportações cresceram 10%, passando de 135,4 mil para 149,3 mil toneladas.
De acordo com o boletim, a diferença entre o desempenho paranaense e o nacional está relacionada às variedades exportadas por cada região. O feijão-mungo-preto (seco) ampliou os embarques em 27,2 mil toneladas, alcançando 78,2 mil toneladas no semestre. O Deral afirma que esse avanço foi impulsionado por Mato Grosso, principal produtor da variedade, que mantém um mercado consolidado com a Índia.
Em sentido oposto, o feijão-preto (seco) registrou queda de 22,6 mil toneladas, passando de 38,8 mil para 16,1 mil toneladas no período. Como o Paraná é o principal polo produtor dessa variedade no país, o recuo teve impacto direto sobre a receita estadual.
O boletim aponta que a redução das exportações paranaenses foi provocada pela retração das compras de Portugal e da Guatemala. Esses países haviam substituído, ainda que parcialmente, os mercados do México e da Venezuela, que anteriormente eram abastecidos pelo feijão produzido no estado.
O Deral destaca que a alternância frequente de compradores torna o setor mais vulnerável. Segundo o órgão, o Paraná demonstra capacidade de abrir novos mercados, mas enfrenta dificuldades para manter relações comerciais de longo prazo.
Enquanto as exportações caíram, as importações brasileiras de feijão avançaram de 4,9 mil para 22,3 mil toneladas no comparativo entre os primeiros semestres de 2025 e 2026. Mais de 20 mil toneladas entraram no país pelo Paraná, com origem na Argentina.
Embora o volume importado ainda esteja abaixo dos níveis observados na década passada, o aumento foi suficiente para tornar negativo o saldo da balança comercial do produto no estado. Isso ocorreu mesmo com o valor médio da tonelada exportada pelo Paraná permanecendo superior ao do feijão importado.
Agrolink – Seane Lennon
Publicado em 23/07/2026 às 15:15h.
