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Indústria cítrica projeta salto na competitividade com acordo Mercosul-União Europeia

Acordo ainda depende de aprovação nos parlamentos dos países-membros

A indústria brasileira de sucos cítricos deve ganhar impulso com a assinatura do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, concretizado em 17 de janeiro, em Assunção. A estimativa é que o setor economize aproximadamente US$ 250 milhões (cerca de R$ 1,3 bilhão) em tarifas nos primeiros cinco anos de vigência do tratado.

Segundo dados divulgados pela Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR), o cálculo considera os preços e volumes médios das exportações brasileiras da última década, com base em números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A projeção leva em conta o cronograma progressivo de desgravação tarifária acordado entre os dois blocos.

Atualmente, os três principais tipos de suco exportados para a Europa — suco concentrado congelado (FCOJ), suco não concentrado (NFC) e suco concentrado 65° Brix — enfrentam tarifas que reduzem a competitividade do produto brasileiro no mercado europeu. Com o acordo, essas alíquotas serão gradualmente eliminadas num prazo que varia entre 7 e 10 anos.

A CitrusBR destaca que já nos primeiros cinco anos haverá uma redução de 50% nos impostos incidentes sobre essas exportações. Caso o cronograma de ratificação siga conforme esperado, o novo regime tarifário poderá entrar em vigor ainda em 2026.

O setor considera o avanço como estratégico, sobretudo diante do cenário internacional competitivo e da relevância do mercado europeu para o suco brasileiro. Hoje, a União Europeia representa um dos principais destinos da produção nacional, que coloca o Brasil como maior exportador global de suco de laranja.

Apesar do otimismo, o acordo ainda depende de aprovação nos parlamentos dos países-membros. No caso brasileiro, o texto será analisado pelo Congresso Nacional, enquanto na Europa a ratificação passa pelo Parlamento Europeu. A expectativa da indústria é de que os trâmites políticos ocorram de forma célere, dado o interesse mútuo em facilitar o comércio bilateral. Caso a implementação se confirme em 2026, os primeiros impactos financeiros para o setor serão percebidos ainda na safra 2026/27.

Agrolink – Aline Merladete
Publicado em 19/01/2026 às 11:36h.

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