O ambiente externo também contribui para sustentar o mercado
O mercado do boi gordo segue sustentado por oferta ajustada, demanda ativa e sinais de recomposição por parte da indústria frigorífica nas principais regiões pecuárias do país. De acordo com análise da StoneX, o mercado físico manteve firmeza ao longo da semana, com altas disseminadas em diversas praças e com São Paulo se aproximando de R$ 352 por arroba.
O movimento ocorre em um cenário em que a disponibilidade de animais terminados permanece limitada, enquanto frigoríficos buscam recompor suas escalas de abate. Em parte das regiões, essas escalas chegaram a apresentar alongamento e voltaram a patamares próximos ou até acima de seis dias úteis. Ainda assim, o ajuste é interpretado mais como um movimento técnico de organização das compras do que como sinal de aumento consistente na oferta.
No mercado de reposição, os preços seguem elevados e os ágios continuam expressivos, o que mantém pressionada a relação de troca para o pecuarista. Esse quadro reforça um viés estrutural de retenção de animais, já que muitos produtores tendem a segurar a venda diante do custo elevado para recompor o plantel.
O ambiente externo também contribui para sustentar o mercado. Fevereiro já se consolida como um recorde histórico de exportações de carne bovina antes mesmo do fechamento do mês. Além do volume expressivo embarcado, os preços médios seguem elevados e a demanda internacional continua firme, ampliando a capacidade de absorção da produção brasileira.
Na B3, os contratos com vencimentos mais longos passaram por ajustes ao longo da semana. Ainda assim, o mercado futuro segue precificando um primeiro semestre marcado por oferta mais justa de animais terminados. As expectativas continuam sensíveis principalmente ao ritmo das exportações e às oscilações do câmbio, fatores que podem influenciar diretamente a competitividade da carne bovina brasileira no exterior
Agrolink – Leonardo Gottems
Publicado em 06/03/2026 às 02:59h.
