A reação do mercado foi imediata
O agravamento das tensões no Oriente Médio começa a provocar efeitos diretos no mercado global de fertilizantes, com impactos sobre preços, oferta e logística internacional. Análise do Rabobank aponta que o atual conflito na região, especialmente pelos efeitos sobre o transporte marítimo e o acesso ao Estreito de Ormuz, já está causando interrupções relevantes no fluxo global desses insumos.
Cerca de 25% a 30% das exportações mundiais de fertilizantes nitrogenados passam pelo estreito, considerado um dos principais corredores logísticos para o comércio agrícola. Com o avanço das tensões, o tráfego de embarcações na região foi reduzido drasticamente, enquanto outras áreas próximas, como o Golfo, o Norte da África e o Mediterrâneo Oriental, também registram dificuldades operacionais.
A reação do mercado foi imediata. Em até 48 horas após o primeiro ataque ao Irã, os preços da ureia no Norte da África registraram alta próxima de 20%. No mesmo período, o gás natural na União Europeia subiu cerca de 45%, refletindo a preocupação com a oferta de insumos essenciais para a produção de fertilizantes. Segundo a análise, a dimensão do choque já se mostra mais profunda e complexa do que as interrupções observadas na região após a guerra de 12 dias entre Israel e Irã em 2025.
O principal ponto de incerteza agora é saber se os efeitos serão apenas temporários ou se podem se transformar em uma mudança estrutural no mercado. Caso haja uma rápida redução das tensões, os impactos tendem a se limitar a uma volatilidade de curto prazo.
Por outro lado, uma escalada do conflito pode provocar um aperto mais duradouro na oferta. Uma alta de aproximadamente 30% nos preços da amônia ou de cerca de 20% no enxofre pressionaria fortemente as margens da produção de fosfato. Além disso, um prêmio persistente de 20% a 30% da ureia global em relação aos preços chineses poderia atrasar ainda mais as exportações da China. Mesmo em cenários menos severos, a análise indica que um prêmio de risco associado ao conflito já parece inevitável no mercado internacional de fertilizantes.
Agrolink – Leonardo Gottems
Publicado em 10/03/2026 às 02:45h.
