Os ataques entre Estados Unidos e Irã entraram na segunda semana
A escalada das tensões geopolíticas e comerciais amplia a pressão sobre os mercados de energia e de produtos agrícolas, com efeitos sobre preços, custos e exportações. A avaliação é do Rabobank, que acompanha os impactos dos conflitos no Oriente Médio e no Mar Negro, além das novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos.
Os ataques entre Estados Unidos e Irã entraram na segunda semana, enquanto segue a disputa sobre o trânsito pelo Estreito de Ormuz. O Irã sustenta que pode regular a navegação na passagem, o que dificulta a retomada do entendimento anterior entre os dois países. Segundo os relatos citados pela instituição, mediadores tentam construir um cessar-fogo de curto prazo, mas a suspensão prática do tráfego pelo estreito levou o petróleo acima de US$ 90 por barril no início da semana. Na análise, o contrato ativo do Brent na ICE era negociado perto de US$ 90,80 por barril. Ao mesmo tempo, os houthis, apoiados pelo Irã, anunciaram bloqueio marítimo à Arábia Saudita e ameaçaram fechar o Estreito de Bab al-Mandab.
No Mar Negro, a continuidade dos ataques entre Rússia e Ucrânia mantém elevada a incerteza sobre as exportações de grãos. Grandes companhias de navegação teriam suspendido operações na região. Um navio carregado com milho que havia deixado Odesa foi atacado, e um petroleiro de GLP com destino à Ucrânia também foi atingido perto do porto romeno de Sulina. As vendas ucranianas ainda enfrentam restrições pelo baixo nível do Danúbio, enquanto o diesel mais caro eleva os custos de colheita na Rússia.
No comércio, os Estados Unidos anunciaram tarifa de 25% sobre açúcar e etanol do Brasil e de 50% sobre lácteos do Canadá. Os demais produtos agrícolas canadenses ficaram de fora. O Brasil prepara contramedidas, aumentando o risco de nova escalada.
Agrolink – Leonardo Gottems
Publicado em 22/07/2026 às 02:30h.
