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CNI: Acordo Mercosul-UE amplia acesso do Brasil ao comércio global para 36%

Com o acordo Mercosul-UE, a CNI (Confederação Nacional da Indústria) estima que os produtos brasileiros devem corresponder a 36% das importações mundiais de bens. Atualmente, os acordos preferenciais e de livre-comércio do Brasil cobrem apenas 8% do comércio global.

O levantamento indica que mais de cinco mil itens (cerca de 54,3%) terão imposto zerado na União Europeia assim que o acordo entrar em vigor. Por outro lado, o Brasil terá prazos mais longos, entre 10 e 15 anos, para reduzir tarifas de 44,1% dos produtos (4,4 mil itens).

A estimativa é de que o Brasil terá, em média,  oito anos adicionais para se adaptar à redução tarifária, se comparado ao prazo do bloco europeu,  considerando o comércio bilateral e o cronograma previsto no Acordo Mercosul-UE.

Dados de 2024 compilados pela CNI mostram que 82,7% das exportações do Brasil para a UE deverão ingressar no bloco sem tarifa de importação a partir do início da vigência.  Já 15,1% das importações brasileiras de produtos com origem na União Europeia devem ter imediatamente as suas tarifas isentas.

Somente 0,9% das exportações brasileiras ao bloco europeu terão que aguardar 10 anos para alcançar tarifa zero, enquanto 56,7% das importações brasileiras originárias do bloco europeu terão suas tarifas eliminadas após 10 ou 15 anos.

O acordo foi assinado neste sábado (17), após 26 anos de negociação. Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, a assinatura é a decisão comercial mais importante para a indústria brasileira em décadas.

“Ele garante acesso imediato ao mercado europeu, assegura tempo de adaptação para a indústria nacional e reposiciona o Brasil em um contexto de diversificação de parceiros, criando também um incentivo para avançar na agenda de competitividade estrutural”, diz o presidente da entidade.

Na avaliação da CNI, as cotas negociadas no acordo favorecem setores-chave, como o da carne bovina e do arroz. Além disso, a entidade considera que a assinatura do tratado cria um ambiente favorável para ampliar projetos conjuntos voltados à sustentabilidade e à inovação tecnológica e para expansão de investimentos europeus no Brasil.

Em 2024, a cada R$ 1 bilhão exportado do Brasil à UE foram criados 21,8 mil empregos e movimentados R$ 441,7 milhões em massa salarial e R$ 3,2 bilhões em produção. No período, o bloco europeu a foi destino de US$ 48,2 bilhões das exportações brasileiras, o equivalente a 14,3% do total exportado pelo país.

CNN Brasil/ Vitória Queiroz
 

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