O IPCA de fevereiro avançou 0,70% no mês
O cenário econômico recente é marcado por pressões externas e internas que ampliam a volatilidade dos mercados e elevam as incertezas sobre inflação, câmbio e atividade. Segundo análise do Rabobank, fatores geopolíticos, decisões de política monetária e indicadores domésticos ajudam a compor um ambiente mais desafiador para 2026.
No exterior, a liberação recorde de 400 milhões de barris de petróleo das reservas emergenciais pela IEA busca conter a alta dos preços provocada pela guerra no Oriente Médio. Ainda assim, a escalada de tensões no Estreito de Ormuz mantém dúvidas sobre os efeitos econômicos do petróleo mais caro. Nesse contexto, a expectativa é de que o Federal Reserve mantenha os juros entre 3,50% e 3,75% na reunião do FOMC desta semana.
No Brasil, medidas foram anunciadas para tentar conter a alta dos combustíveis, enquanto a inflação segue pressionada. O IPCA de fevereiro avançou 0,70% no mês, acima das expectativas, puxado principalmente por Educação e Transportes. O dado reforça a atenção do mercado antes da decisão do Copom, para a qual se projeta corte de 0,50 ponto percentual.
Os indicadores de atividade mostram comportamento irregular no início do ano. O IBC-Br registrou alta de 0,8% em janeiro, em linha com as projeções, enquanto o varejo surpreendeu positivamente, com crescimento de 0,4% no conceito restrito e de 0,9% no ampliado. O setor de serviços também voltou a avançar, com alta de 0,3%, retomando a trajetória observada ao longo de 2025.
Apesar do diferencial de juros e do enfraquecimento global do dólar, o câmbio segue pressionado. A moeda americana encerrou a semana anterior em R$ 5,3237, com desvalorização de 1,6% do real, um dos piores desempenhos entre emergentes. A estimativa aponta para o dólar a R$ 5,55 ao fim de 2026, em meio à persistente incerteza fiscal e tarifária em ano eleitoral.
Agrolink – Leonardo Gottems
Publicado em 18/03/2026 às 09:26h.
l.
