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Riscos externos seguem no foco dos mercados

No Brasil, os dados de atividade de fevereiro vieram abaixo das expectativas

O ambiente econômico segue marcado pela combinação de riscos externos elevados, incertezas sobre juros nos Estados Unidos e atenção aos indicadores domésticos no Brasil. Segundo relatório do Rabobank, o cenário ainda reúne fatores de pressão sobre moedas emergentes, contas externas e decisões de política monetária.

No exterior, Donald Trump prorrogou indefinidamente o cessar-fogo com o Irã, mas o Estreito de Ormuz permanece fechado, mantendo o risco geopolítico em patamar elevado. A avaliação do Rabobank é que mais uma tentativa de acordo entre Estados Unidos e Irã fracassou, apesar da extensão do cessar-fogo. A instituição também aponta que a incerteza tarifária persiste em meio a um quadro fiscal incerto no Brasil em ano eleitoral.

Nos Estados Unidos, a sabatina de Kevin Warsh para o Federal Reserve teve caráter politizado. O processo foi marcado pela defesa da independência do banco central, pela negação de um acordo prévio com Trump para cortes de juros e pela ênfase nos juros, e não no balanço, como principal instrumento de política monetária. Também houve proposta de reforma do arcabouço de inflação. O Rabobank projeta manutenção da taxa Fed Funds entre 3,50% e 3,75% na reunião do FOMC de abril.

No Brasil, os dados de atividade de fevereiro vieram abaixo das expectativas. O dólar encerrou a semana anterior cotado a R$ 4,9813, o que representou depreciação de 0,80% do real frente à moeda americana no período. Ainda assim, foi o quinto melhor desempenho semanal entre 24 moedas emergentes. Para o fim de 2026, a estimativa do Rabobank segue em R$ 5,55, diante da expectativa de menor diferencial entre juros locais e externos ao longo de 2026 e de eventual recuperação global do dólar.

As transações correntes ainda não mostraram efeitos do conflito no Oriente Médio. Em fevereiro, a conta registrou déficit de US$ 6,0 bilhões, abaixo das projeções do mercado e do Rabobank. Em 12 meses, o déficit soma US$ 64,3 bilhões, equivalente a 2,7% do PIB. Já o Investimento Estrangeiro Direto manteve trajetória positiva no primeiro trimestre, com entrada líquida de US$ 6,0 bilhões em março e saldo acumulado de US$ 75,7 bilhões em 12 meses, ou 3,2% do PIB.

Na agenda da semana, o principal destaque no Brasil é a decisão do Copom, com expectativa de corte de 0,50 ponto percentual na Selic, para 14,50%. Também serão divulgados o IPCA-15 de abril, o resultado primário do Governo Central, o IGP-M, dados do Caged, resultado nominal, resultado primário e dívida líquida. Na região, Chile, Colômbia e Peru terão decisões de juros, inflação, desemprego e atividade no foco dos mercados.

Agrolink – Leonardo Gottems
Publicado em 29/04/2026 às 12:57h.

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