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A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) divulgou nesta quinta-feira (3) uma nota técnica com análise sobre os efeitos do tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre as exportações do agronegócio brasileiro
Entidade destacou que para alguns segmentos do agro, como café verde e suco de laranja, o mercado norte-americano é imprescindível
A entidade classifica impactos “críticos” ou “altos” para 19 produtos, como carne bovina industrializada, outras substâncias proteicas e madeira perfilada, por exemplo (veja lista completa abaixo).
Atualmente, os Estados Unidos são o terceiro principal destino dos produtos do agro nacional, atrás apenas de China e União Europeia. Em 2024, os norte-americanos responderam por 7,4% da pauta brasileira no setor, atingindo a marca de US$ 12,1 bilhões.
“Ao longo dos últimos dez anos, a participação dos EUA na pauta exportadora do agronegócio brasileiro sempre figurou entre 6% e 7,5%. Isso evidencia um mercado consolidado para os produtos brasileiros, que apresenta relativa previsibilidade do ponto de vista geral”, diz o texto.
Impactos aos produtos brasileiros


Perdas mais críticas
A entidade informa que produtos com classificação crítica se referem aqueles em que o desvio é praticamente impossível dado o alto grau de dependência do mercado norte-americano, enquanto aqueles classificados como de alta exposição encontrarão dificuldades para a absorção por outros mercados.
“Já os de exposição leve e moderada podem encontrar algumas oportunidades em outros
mercados, mas ainda sentindo os impactos do tarifaço nos EUA”.
De acordo com a nota da CNA, para alguns setores, o mercado norte-americano é de grande importância. “É o caso do café verde – principal produto do agro brasileiro destinado aos EUA – cuja participação dos EUA foi de 17% em valor no ano de 2024, e dos sucos de laranja, que atingiu 31%. A elevação das alíquotas de importação sobre estes produtos pode minar a competitividade do Brasil neste mercado, impactando os rendimentos do produtor”, diz trecho da nota.
Para a CNA, os produtos mais afetados serão os que o Brasil já é altamente representativo no total das importações dos EUA, isso porque, nestes casos, o Brasil não teria “espaço” para ganhar de um eventual concorrente, sendo o único ou principal país afetado.
“É o caso dos sucos de laranja resfriados e congelados, onde o Brasil responde por 90% e 51% das compras americanas, respectivamente; da carne bovina termo processada, com 63%; e do etanol, com 75%”.
CNA: ‘retaliação em último caso’
A nota da CNA reconhece, contudo, que ainda é precipitado avaliar eventuais perdas ou ganhos para o Brasil com o anúncio das tarifas recíprocas pelos EUA, visto que a alteração tarifária afeta todos os países do mundo, inclusive grandes exportadores de produtos agropecuários.
Por fim, o texto considera que instrumentos de proteção para medidas retaliatórias e barreiras unilaterais, como o que será alcançado por meio do PL nº 2088/2023 (PL da Reciprocidade), aprovado pelo Congresso e que seguirá para sanção presidencial, devem ser utilizados apenas após o esgotamento dos canais diplomáticos, para defender os interesses brasileiros.
03/04/2025 20:49