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Em meio a tensão geopolítica, Irã empata com Nova Zelândia na estreia


Após meses de tensões geopolíticas, incertezas sobre participação e dificuldades de acesso aos Estados Unidos, o Irã estreou na Copa do Mundo em solo norte-americano. Nessa segunda-feira (15), a seleção asiática empatou por 2 a 2 com a Nova Zelândia em Los Angeles, pelo Grupo G da competição.

Pelo número de gols marcados, iranianos e neozelandeses lideram a chave, que ainda tem Bélgica e Egito. As quatro equipes somam um ponto. Mais cedo nesta segunda, egípcios e belgas ficaram no 1 a 1 em Seattle. As seleções da Ásia e da Oceania sonham com uma classificação inédita à segunda fase do Mundial.

O próximo compromisso do Irã será contra a Bélgica, novamente em Los Angeles, às 16h (horário de Brasília) de domingo (20). No mesmo dia, às 22h, a Nova Zelândia vai até o Canadá enfrentar o Egito em Vancouver.

Crise extracampo

Desde o jogo contra os Estados Unidos (EUA) na Copa do Mundo da França, há 28 anos, uma partida da seleção iraniana era tão aguardada. Menos pela qualidade do espetáculo e mais pela expectativa gerada por causa da guerra com os norte-americanos. O país é sede dos três compromissos da equipe asiática na fase de grupos do Mundial. A solicitação para que os duelos fossem transferidos ao México, que também recebe a competição, não foi aceita.

Apesar do acordo de cessar-fogo por 60 dias anunciado no domingo (14), o conflito já havia respingado o suficiente no esporte. Jogadores, dirigentes e membros da comissão técnica do Irã tiveram problemas para obter o visto de entrada nos Estados Unidos. O presidente norte-americano, Donald Trump, chegou a dizer, em março, que a seleção asiática era “bem vinda” à Copa, mas que a participação do país não seria “apropriada”.

A crise política pode também ter impactado a convocação. O atacante Sardar Azmoun, terceiro maior artilheiro da seleção, ficou fora do Mundial, segundo a versão oficial, por ter descumprido prazos para a obtenção de visto. Em março, ele apareceu em foto ao lado do primeiro-ministro dos Emirados Árabes Unidos e dirigente do Shabab Al-Ahli, clube que defende. O problema é que o país é aliado dos Estados Unidos.

Os iranianos estão concentrados em Tijuana, no México. A seleção foi autorizada a entrar em solo estadunidense um dia antes das partidas da fase de grupos, conforme o Departamento de Segurança Interna do país-sede do Mundial. A equipe chegou a Los Angeles no fim da tarde de domingo e terá de sair do país já nesta terça-feira (16).

Além disso, horas antes de a bola rolar, membros da comunidade persa de Los Angeles se reuniram em frente ao palco do jogo para protestar contra o governo iraniano. Embora alguns estivessem lá também para apoiar o time, para outros a seleção deveria ser retirada da Copa e os atletas eram coniventes com o atual regime.

Os manifestantes ostentavam a bandeira com um leão e um sol ao centro, que deixou de ser a oficial após a Revolução Islâmica de 1979. Por ser considerada um símbolo político, ela costuma ser proibida pela Fifa, mas muitos torcedores entraram com ela no estádio.

Duelo movimentado

Crise geopolítica à parte, o primeiro tempo em Los Angeles foi bastante animado, com as duas equipes buscando o gol a todo instante. Foram 16 chutes e 28 erros forçados – ou seja, bolas perdidas a partir de ações defensivas do adversário – ao longo dos 45 minutos iniciais.

A Nova Zelândia, que nada tem a ver com os problemas do outro lado, saiu na frente. Aos seis minutos, Elijah Just tentou a tabela na entrada da área com o também meia Sarpreet Singh. A bola sobrou com o atacante Chris Wood, que fez o domínio e devolveu para Just finalizar, sem chances para o goleiro Alireza Beiranvand.

A seleção da Oceania, mesmo em vantagem, manteve a postura ofensiva, dando também espaços para o Irã atacar em velocidade. O primeiro susto dos asiáticos veio aos 22 minutos, com o artilheiro Medhi Taremi. Em lance individual, o atacante carregou a bola desde o meio-campo e arriscou da entrada da área, acertando a trave esquerda.

Dez minutos depois, não teve quase. O lateral Ramin Rezaeian dominou na ponta direita e buscou a tabela com o meia Saman Ghoddos, que devolveu na pequena área. O atacante Shahriyar Moghanlou se antecipou para concluir e foi travado pelo zagueiro Finn Surman, mas Rezaian ficou com a sobra e mandou para as redes para empatar.

A virada quase saiu nos acréscimos. Aos 50 minutos, em cobrança de falta de Rezaeian da intermediária, o zagueiro Ali Nemati cabeceou no cantinho do goleiro Max Crocombe. O gol, porém, foi anulado por impedimento claro do defensor iraniano.

Os times voltaram do intervalo com a mesma postura do primeiro tempo. E, mais uma vez, foi a Nova Zelândia que balançou as redes. Aos nove minutos, Just puxou o contra-ataque pelo meio, fez a tabela com Wood e bateu para recolocar a equipe da Oceania à frente.

A vantagem neozelandesa, novamente, durou pouco. Foram nove minutos entre o gol neozelandês e o cruzamento de Rezaeian pela direita, preciso, na cabeça do meia Mohammad Mohebi, que escorou sem chances para Crocombe.

À medida que as equipes foram fazendo alterações, a velocidade do jogo caiu sensivelmente. Tanto Irã quanto a Nova Zelândia não abdicaram do ataque, mas já não conseguiam ter a mesma qualidade na preparação das jogadas. No fim, o empate prevaleceu.



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