Fred Moraes e Pablo Rodrigo
Presidente estadual do Podemos e da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Max Russi acredita que as definições eleitorais deste ano só irão se concretizar depois dessa quinta-feira (30), quando ocorrerá a convenção estadual do União Brasil, que será o verdadeiro divisor de águas da disputa no Estado.
Para o parlamentar, o desfecho do encontro partidário ditará os rumos do pleito de outubro, definindo se a corrida ao Palácio Paiaguás será resolvida em turno único ou se haverá uma disputa aberta e imprevisível em segundo turno.
“Eu diria que a convenção mais importante e esperada é a convenção do União Brasil. Após essa convenção, a gente vai ter mais claro como será a eleição deste ano, porque nós poderemos ter um candidato a mais ou não. Esse candidato a mais, se for, é um candidato forte que nos dá a certeza de um segundo turno”, afirmou Russi.
A declaração sintetiza a paralisia momentânea que toma conta dos partidos aliados e da oposição, que aguardam a definição interna do União Brasil para carimbar suas próprias coligações e fechar as chapas antes do prazo final de 5 de agosto. No centro do impasse está um racha estratégico dentro da maior sigla do estado.
De um lado, o senador Jayme Campos tenta viabilizar sua candidatura própria ao governo de Mato Grosso. Do outro, o ex-governador Mauro Mendes atua para garantir que o União Brasil feche questão em apoio à reeleição do atual governador Otaviano Pivetta. A disputa de forças mobiliza as bases partidárias e expõe a falta de consenso entre as lideranças tradicionais da sigla.
Essa queda de braço envolve não apenas a cabeça da chapa executiva, mas também a distribuição do tempo de televisão, a alocação do fundo eleitoral e o espaço reservado para as vagas ao Senado. A incerteza sobre o rumo do União Brasil trava o avanço de negociações em outras legendas. Segundo Max Russi, o surgimento de uma candidatura encabeçada por Jayme Campos alteraria drasticamente a distribuição de forças e os arranjos partidários.
“Se o União Brasil for candidato, o Pivetta fica com um partido apenas. O Wellington [Fagundes] só está, teoricamente, com um também, meio encaminhado com o Novo… Ou seja, tem um quadro totalmente diferente. Se o União Brasil não for, o Pivetta também não tem determinado palanque. É um cenário eleitoral bem nebuloso”, avaliou o deputado.
Russi confirmou que a tendência do Podemos é realizar sua convenção sem fechar os apoios oficiais imediatamente, delegando a decisão final à executiva do partido até os minutos finais do prazo legal. “A tendência é essa: deixar a ata em aberto. A não ser que a gente já chegue com as definições todas prontas. Se não chegarem, nós deixaremos a cargo da executiva fechar a coligação no dia 5. A eleição deste ano está difícil de prever algo, porque está tudo muito indefinido”, concluiu.
