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‘HABITAT ONDE ESCOLHEU VIVER’: Jacaré Celso tem parque como ‘lar’ e prefeitura alerta população para cuidados

Após o aparecimento recorrente do Jacaré Celso na pista de caminhada do Parque das Águas, fora da lagoa, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento explicou que não vai retirar o animal do local, pois é o espaço onde ele escolheu viver. A Secretaria alerta, também, que a distância deve ser mantida quando ele for avistado. 

A presença de jacarés no Parque da Águas é observada há anos, com registros em vídeo desde 2018. Os frequentadores do parque apelidam o animal de “Celso”. Além do réptil, outros seres, como capivaras, patos e cobras podem ser vistos frequentemente.

Desde outubro do ano passado, Celso voltou a aparecer em vídeos e registros de frequentadores do parque, visto na pista de caminhada localizada ao redor do lago. Algumas pessoas, entretanto, se aproximam de forma perigosa ou incomodam o animal.

Um vídeo gravado há 3 meses mostra dois homens chegando próximo a Celso. Enquanto um deles ataca o animal com um cone de sinalização de trânsito, outro mexe no rabo do animal na intenção de fazer com que ele retornasse ao lago.

O GD esteve no local e conversou com pessoas que frequentam o parque para caminhadas. Para elas, o jacaré é conhecido e já se tronou um tipo de “atração” no local. Eduardo estava no local acompanhando uma criança e afirmou que não tem medo de se deparar com o animal e que espera a oportunidade.

“Ainda não tive a oportunidade de encontrar com ele, mas não tenho medo do jacaré. É tranquilo e o Celso é gente boa demais”, afirmou.

Juliene frequenta o parque para correr e relatou ver mais o animal pela internet do que pessoalmente. “Normalmente eu venho para correr e não presto atenção. Nunca tive medo, acho que ele é calminho”, relatou ela.

Este ano, ele já realizou várias aparições.  Em um vídeo, ele aparece seguindo uma viatura da polícia. 

Medidas

Nesta terça-feira (06), a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano informou, por meio de nota, que o animal não será removido do Parque, localizado no perímetro urbano, em respeito ao habitat onde ele escolheu viver e reforçou que não foi registrado ataque às pessoas.

Vale destacar que no ano de 2021, um outro jacaré foi encontrado morto às margens do lago, com o crânio rachado e diversas lesões pelo corpo. Na época, a perícia identificou que foi uma morte provocada e não natural ou por atropelamento. 

A reportagem do GD procurou a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), que explicou que o parque é de administração da Prefeitura e cabe a ela deve solicitar a remoção do animal, caso desejado. Mesmo que ocorra o pedido, a remoção de Celso deve ser acompanhada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

A presença de Celso traz riscos?
Jessica Mudrek, doutora em Ecologia e Conservação da Biodiversidade com foco de pesquisa em crocodilianos de áreas urbanas, explica que a melhor decisão é deixar o animal no habitat que vive há anos. Durante seu trabalho, ela encontrou jacarés residindo em diversos pontos da cidade, principalmente nos córregos, que é algo comum na baixada.

“O Parque das Águas é recente, mas a água faz muito tempo que está lá. Dentro da cidade de Cuiabá a gente encontrou jacaré na cidade toda. Eles estão aqui, mas no Parque a gente consegue ver melhor porque ele [o jacaré] sai e tem luz”, explicou ela.

Apesar disso, ela alerta que a presença de Celso no local exige precauções por parte dos usuários. A distância deve ser mantida pois ele pode reagir à aproximação com mordidas, como forma de defesa. Casos como o registrado em outubro de 2025, em que as pessoas tocavam no animal e arremessavam cones, não devem ocorrer.

“O Celso é um jacaré do Pantanal, que não é tão agressivo, mas mesmo assim pode acontecer um acidente”, afirmou.

A bióloga também disse que existe um risco para o jacaré caso as pessoas joguem lixo ou alimentos indevidos para o animal. Durante sua pesquisa de mestrado, análises estomacais de animais encontrados na cidade mostraram resíduos de lixo, algodão e outras coisas indevidas, que podem trazer problemas à saúde.

Retirar Celso do Parque necessitaria de estudos de população do local para onde ele seria levado, que poderiam durar anos, além de um grande custo com transporte e exames que deveriam ser realizados antes da mudança.

“A questão de remoção de um animal de um habitat que ele já estava, mesmo sendo um ambiente urbano, demanda muito custo e tempo, porque você tem que estudar a viabilidade de população para onde você vai levar esse jacaré, além de fazer exames veterinários e outros procedimentos. Não é viável e não é saudável para o animal ser retirado dali”, explicou ela.

A bióloga defende que os ocupantes do parque sejam orientados a manterem sempre a distância do animal e que placas devem ser instaladas alertando dos riscos. O animal não deve ser incomodado, nem coisas jogadas sobre ele.

Leia a nota da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano na íntegra
Em relação ao Jacaré Celso, que vive no Parque das Águas, a Prefeitura de Cuiabá esclarece que não há intenção de retirar o animal do local, em respeito ao habitat onde ele escolheu viver.

Para segurança das pessoas, a orientação é evitar a aproximação, permanecendo um pouco distante.

Ressalta que o animal está há tempos no Parque das Águas e nunca foi registrado ataque as pessoas. Por questão de segurança, o animal não deve ser incomodado.

Créditos/Aline Costa – Especial para o GD

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