A utilização de câmeras térmicas em usinas de etanol de milho pode ser uma importante aliada na prevenção de incêndios. Essa foi uma das soluções tecnológicas apresentadas na 2ª Conferência Internacional, realizada na quinta-feira (03), em Cuiabá. O evento, promovido pela União Nacional do Etanol de Milho (Unem) e DATAGRO, reuniu produtores, investidores, especialistas e autoridades para debater o crescimento e os desafios do setor.
As câmeras térmicas atuam de forma diferente das ferramentas convencionais, como sensores de fumaça ou as câmeras de monitoramento tradicionais. O equipamento é capaz de detectar variações de temperatura em tempo real, apontando focos de calor que podem se transformar em fogo. Somado a isso, ela utiliza radiação infravermelha, o que permite uma operação mais eficaz mesmo em ambientes sem iluminação ou em condições climáticas adversas.
“Os resíduos que as usinas utilizam nas caldeiras, como a biomassa e o cavaco, produz um calor da própria matéria. Então, as câmeras térmicas conseguem identificar a zona mais propícia a começar um foco de incêndio. Com isso, é possível atuar preventivamente com uma retroescavadeira e eliminar esse foco”, explicou Wagner Roberto Figueiredo, diretor da AUSEC, especialista em tecnologia.
Além disso, a empresa apresentou um sistema que, por meio de machine learning, consegue, por exemplo, reconhecer um objeto estranho em meio ao milho. “Em uma esteira dá para saber se há algo que não seja milho passando por ela. Também pode ser aplicado caso algum funcionário entre em determinado local sem equipamento de proteção e ele gera um alerta sobre a situação”, completa Wagner.
No Brasil, o setor de produção de etanol de milho está em acelerada expansão. Com 25 biorrefinarias em operação, o país atingiu na safra 2024/25 a marca de 8,25 bilhões de litros. A projeção é de que na safra 2025/26 esse número cresça para 10 bilhões. Paralelamente, a produção de grãos secos de destilaria (DDG/DDGS), coproduto altamente valorizado na nutrição animal, chegou a 4,05 milhões de toneladas nesta safra e deve atingir 4,84 milhões na próxima.
“É uma produção com sustentabilidade, competitiva e, mais do que tudo, agrega muito valor ao grão e viabiliza a produção de milho safrinha. Também é importante registrar que, de agosto de 2023 até o momento, o preço do etanol esteve em média 7,5% abaixo do da gasolina. Então, a mistura de etanol na gasolina tem permitido que o preço da gasolina seja mais baixo do que se não existisse essa combinação”, pontua o presidente do DATAGRO, Plinio Nastari.