Conteúdo/ODOC – O desembargador Marcos Machado, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), concedeu liberdade provisória ao vigilante Alvacir Marques de Souza, investigado por envolvimento na morte do venezuelano Hildemario Ivan José Sanches Camacho, espancado até a morte no início de fevereiro, na rodoviária de Cuiabá.
Na decisão proferida nesta terça-feira (1), o magistrado atendeu parcialmente ao pedido da defesa de Alvacir e substituiu a prisão preventiva do vigilante por medidas cautelares. Ele deverá comparecer à Justiça a cada três meses, não poderá deixar a cidade sem autorização judicial e deverá comunicar qualquer mudança de endereço.
O crime ocorreu em 4 de fevereiro e foi registrado por câmeras de segurança do terminal rodoviário. Nas imagens, a vítima aparece sendo perseguida por suspeitos e depois brutalmente agredida. Mesmo ferido e caído no chão, o venezuelano continuou sendo espancado até perder os sentidos. Ele chegou a ser socorrido e levado ao Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), mas não resistiu aos ferimentos.
De acordo com as investigações conduzidas pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), quatro homens participaram da agressão: Jonas Carvalho e Oliveira, Dhiego Érik da Silva Ferreira, Luciano Sebastião da Costa e Alvacir Marques de Souza. Todos foram denunciados e se tornaram réus por homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.
No caso de Alvacir, o relatório assinado pelo delegado Nilson André Farias de Oliveira aponta que ele não participou diretamente das agressões, mas assistiu a tudo sem intervir ou acionar socorro, mesmo sendo responsável pela segurança do local. A omissão motivou a decretação da prisão preventiva, sob argumento de que a superioridade numérica dos agressores agravou a brutalidade da ação.
Contudo, ao reavaliar a prisão, o desembargador Marcos Machado ponderou que Alvacir é réu primário, possui endereço fixo e ocupação lícita como fiscal de plataforma na rodoviária. Além disso, considerou que o vigilante não teve participação ativa no espancamento e que as circunstâncias do caso exigem análise individualizada.
Os outros três acusados continuam presos preventivamente. Jonas foi identificado com nome falso e tinha mandado de prisão em aberto pela Justiça de Minas Gerais. Dhiego já cumpre pena por roubo e tráfico de drogas em regime semiaberto, e Luciano possui passagem por ameaça, com registro encerrado em 2020.
A concessionária SINART, responsável pela administração da rodoviária, afirmou por meio de nota que vem colaborando com as investigações e forneceu todas as imagens de segurança à polícia. A empresa também disse que está tomando providências internas para apurar a conduta dos envolvidos.