Drª Thaís Martins, médica intervencionista da dor, explica a diferença entre dor aguda e crônica, destaca novas tecnologias e defende a abordagem multidisciplinar no cuidado do paciente.
Escrito por João Ricardo |Fonte: Cenário-MT
Drª Thaís Martins, médica intervencionista da dor, explica a diferença entre dor aguda e crônica, destaca novas tecnologias e defende a abordagem multidisciplinar no cuidado do paciente. Foto: IA.
Neste sábado, 17 de outubro, celebra-se o Dia Mundial da Dor, data dedicada a conscientizar a população sobre a importância de diagnosticar e tratar adequadamente condições dolorosas que afetam a qualidade de vida de milhões de pessoas.
A dor, que surge inicialmente como um sinal de alerta e proteção do organismo, pode se transformar em uma condição complexa e desafiadora quando persiste por longos períodos.
A médica especialista em Tratamento da Dor Crônica e Medicina Intervencionista da Dor, Drª Thaís Martins, explica que a dor é considerada crônica quando dura ou se repete por mais de três meses. Nesse estágio, ocorre uma alteração no próprio funcionamento do sistema nervoso, que passa a ficar mais sensível.
“Quando a dor se prolonga, o sistema nervoso reage como se o ‘volume da dor’ estivesse aumentado. Mesmo após a melhora da lesão inicial, o paciente pode continuar sentindo dor. Por isso, a dor crônica deve ser compreendida como uma doença em si, e não apenas um sintoma de outro problema. Sentir dor todos os dias não é normal e ninguém precisa esperar a dor ficar insuportável para buscar ajuda”, destaca a Dra. Thaís Martins.

Quando Buscar Ajuda Especializada
A médica ressalta que sinais do dia a dia indicam a necessidade de investigação médica aprofundada:
Frequência e Medicamentos: Dor recorrente ou necessidade constante de tomar analgésicos.
Impacto na Rotina: Dificuldades para dormir, caminhar, trabalhar ou realizar atividades simples, como brincar com filhos ou netos.
Prevenção: Não é preciso aguardar completar três meses de sofrimento; quanto mais precoce for a identificação da causa, mais eficaz será o tratamento.
A Dra. Thaís lembra ainda que é comum pacientes passarem por diversos consultórios e exames sem um diagnóstico conclusivo. nesses casos, a dor continua sendo real, pois envolve aspectos neurológicos, emocionais e sociais que vão além das imagens de exames convencionais.
Medicina Intervencionista e Tecnologias Avançadas
O campo da medicina da dor evoluiu expressivamente, oferecendo alternativas que vão além do uso contínuo de medicamentos orais. A medicina intervencionista utiliza procedimentos minimamente invasivos guiados por ultrassom ou raio-X em tempo real, garantindo maior precisão e segurança:
- Bloqueios Nervosos e Infiltrações: Aplicações direcionadas em articulações (joelhos, ombros, coluna) e nervos específicos para interromper o ciclo da dor.
- Radiofrequência: Aplicação de energia de forma controlada nos nervos para bloquear a transmissão dos sinais dolorosos ao cérebro.
- Ondas de Choque: Indicadas para tratar tendinites, bursites e outras condições musculoesqueléticas.
- Neuromodulação: Técnicas inovadoras como a estimulação medular, do gânglio da raiz dorsal e a estimulação magnética transcraniana (EMT), que modificam a forma como o sistema nervoso central processa os estímulos de dores neuropáticas complexas.
Uso da Cannabis Medicinal e Abordagem Multidisciplinar
Questionada sobre o uso da Cannabis medicinal, a especialista enfatiza que o tratamento deve ser avaliado caso a caso, desmistificando a ideia de “solução milagrosa”.
“Existem evidências de que fitocannabinoides (como THC e CBD) ajudam em dores neuropáticas específicas, mas os benefícios são modestos e variam entre os pacientes, além de haver possíveis efeitos colaterais como tontura e sonolência. A Cannabis não é um consenso para todos os tipos de dor crônica e requer indicação médica criteriosa”, pondera a médica.
A Dra. Thaís Martins reforça que o sucesso do tratamento depende da união de esforços entre o médico, fisioterapeutas, psicólogos e nutricionistas, aliada a mudanças no estilo de vida, como a prática rotineira de atividades físicas e a melhora da qualidade do sono. O objetivo final não é apenas aliviar temporariamente o sintoma, mas devolver a mobilidade, a autonomia e a qualidade de vida ao paciente.
Em Mato Grosso, a Afya Educação Médica Cuiabá oferece atendimentos gratuitos em diversas especialidades, incluindo Clínica em Dor, Dermatologia, Psiquiatria, Endocrinologia, Nutrologia, Pediatria e Ultrassonografia. As consultas dependem de agendamento prévio e disponibilidade de vagas. Os interessados podem entrar em contato pelo número de WhatsApp: (65) 99689-7280.
