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Guerra ao caos no trânsito: Rondonópolis reativa radares e se prepara para blitze da Lei Seca

Em um movimento duplo e enérgico para conter o que autoridades já classificam como uma “epidemia de acidentes”, Rondonópolis está prestes a implementar suas duas mais contundentes ferramentas de fiscalização viária: o retorno dos radares eletrônicos e o início das blitze sistemáticas da Lei Seca.

As medidas, que devem entrar em operação nas próximas semanas, representam a resposta mais forte do município a uma alarmante escalada da violência no trânsito, que tem visto números de mortes aumentarem ano após ano e que continua a ceifar vidas em 2025.

Em 2024 foram 60 vítimas fatais, sendo que apenas no primeiro trimestre deste ano, o número de acidentes foi de 518 acidentes no trânsito.

Para se ter ideia, apenas na semana entre os dias 21 e 29 de setembro, cinco vidas foram perdidas e retiradas de suas famílias de forma trágica.

A expectativa é que tais números sejam fortemente reduzidos, pois a cidade se prepara para uma nova realidade e os números impactantes da fiscalização na capital, Cuiabá, servem como um prenúncio do que está por vir.

O palco para esta ofensiva foi montado com a resolução de dois antigos gargalos. A primeira, e mais recente, foi o encaminhamento, no final de setembro, da licitação para a instalação da fiscalização eletrônica, incluindo controladores de velocidade, de avanço de sinal e de parada sobre a faixa de pedestres – reativando assim os radares após um hiato de quase quatro anos.

A cidade estava sem qualquer tipo de radar fixo há muitos anos, um vácuo de fiscalização que, segundo especialistas e agentes de trânsito, contribuiu diretamente para o comportamento imprudente de motoristas e o consequente aumento no número de acidentes graves.

Paralelamente, a cidade finaliza os preparativos para o início das operações do seu novo pátio de apreensão de veículos.

A estrutura, aguardada há anos, é a peça que faltava para viabilizar as operações da Lei Seca, permitindo a remoção e guarda de veículos irregulares, inserindo Rondonópolis definitivamente no cronograma estadual de blitze, e com isso pondo fim a uma longa espera por fiscalização mais rigorosa.

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(Foto: reprodução)

Números que clamam por Ação

A urgência das medidas é traduzida em estatísticas trágicas. Em um levantamento de diversas reportagens realizadas pelo jornal A TRIBUNA, fica constatado o relevante número de mortes no trânsito há anos. E infelizmente, a tendência de alta vem persistindo em 2025.

No primeiro trimestre de 2025, ou seja, até o dia 31 de março, já foram 518 acidentes de trânsito na cidade. Somente na semana entre os dias 21 e 29 de setembro, aconteceram cinco mortes no trânsito. No ano passado, foram 697 vítimas lesionadas e 60 vítimas fatais.

Um agente de trânsito, conhecido como “Amarelinho”, foi categórico ao correlacionar a ausência dos radares com o perigo nas ruas.

“Infelizmente, boa parte dos condutores só respeita as leis de trânsito quando sentem que podem ser penalizados, seja por uma multa ou pela perda de pontos na carteira. Sem os radares, muitas avenidas importantes viraram pistas de corrida”, afirmou.

percepção do agente é ecoada por moradores em reportagens que frequentemente citam o excesso de velocidade e o desrespeito à sinalização como as principais causas do caos viário que, ao longo de muitos anos, tem visto as avenidas da cidade se transformarem em “pistas de corrida”.

A combinação de álcool e direção agrava ainda mais o quadro.

A ausência de blitze regulares da Lei Seca criou uma sensação de impunidade, que as autoridades esperam reverter drasticamente com a nova estrutura.

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O que esperar: O modelo da Capital

Com a infraestrutura necessária prestes a operar, Rondonópolis poderá impor o modelo de operação já consolidado em Cuiabá. As blitze na capital são conhecidas por serem ações integradas, envolvendo o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Detran-MT, Polícia Militar e a secretaria de mobilidade local.

Elas ocorrem de forma estratégica e contínua, principalmente nos fins de semana e em locais de grande fluxo, com o objetivo claro de retirar de circulação os motoristas que insistem na combinação de álcool e direção.

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As blitze na capital são conhecidas por serem ações integradas entre vários organismos de segurança (Foto – GGI/SESP-MT)

Raio-x da fiscalização: os números de Cuiabá como alerta

Para que os cidadãos rondonopolitanos possam ter uma dimensão clara do que significa a chegada efetiva da Lei Seca, os resultados consolidados das operações em Cuiabá, entre julho e setembro de 2025, são o melhor termômetro.

Segundo um levantamento de dados, divulgados pelas forças de segurança e pela imprensa estadual, o balanço dos últimos 3 meses na capital revela um cenário de fiscalização intensa:

  • Prisões por Embriaguez: Mais de 110 condutores foram presos em flagrante por dirigir sob efeito de álcool, um crime de trânsito inafiançável.
  • Veículos Removidos: Cerca de 303 carros e motocicletas foram guinchados e levados para o pátio por irregularidades diversas, principalmente a combinação de álcool e direção.
  • Autuações (Multas): Foram lavrados mais de 850 autos de infração (AITs) especificamente por alcoolemia (recusa ao teste do bafômetro ou resultado positivo), infração gravíssima com multa de R$ 2.934,70 e suspensão da CNH.
  • Motoristas sem CNH: Mais de 130 pessoas foram flagradas dirigindo sem possuir a Carteira Nacional de Habilitação, um risco adicional à segurança de todos.

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A implementação conjunta das duas frentes de fiscalização – eletrônica e humana – sinaliza uma nova era para o trânsito local (Foto – Arquivo)

Rondonópolis: uma estratégia de duas frentes

Com a reativação dos equipamentos eletrônicos, a expectativa da SEMOB é acalmar o tráfego em pontos críticos da cidade, como as Avenidas Lions Internacional, Presidente Médici e a Rua Dom Pedro II.

“O estudo técnico que embasou a licitação identificou os locais com maiores índices de acidentes e excesso de velocidade. O objetivo não é ‘multar por multar’, mas sim proteger vidas, forçando o motorista a respeitar os limites”, explicou uma fonte da pasta.

Ao mesmo tempo, as operações da Lei Seca, a despeito do modelo já consolidado em Cuiabá, pode atuar de forma integrada entre as forças de segurança estaduais e municipais para tirar de circulação condutores alcoolizados com a implantação do pátio para depósito de veículos apreendidos.

A medida foi reforçada por um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado em abril pelo Ministério Público, que cobrava ações efetivas do município para frear a violência no trânsito desde gestões municipais anteriores.

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* Leia matéria a respeito:

Rondonópolis: Assinatura de TAC entre Prefeitura e MP busca melhorar trânsito e fiscalização

Após uma atuação enérgica do Ministério Público, a Prefeitura de Rondonópolis firmou o acordo para enfrentar o que fora classificado como um “caos” no trânsito da cidade.

A iniciativa partiu da promotora de Justiça Joana Maria Ninis, que em 2023 instaurou um procedimento cobrando ações do município, como a criação de um pátio para veículos apreendidos.

Com o apoio do juiz Wagner Plaza Machado Júnior na conciliação, o acordo formaliza a obrigação do poder público em implementar fiscalização, melhorar a sinalização e promover a educação no trânsito, revertendo um quadro de omissão que, segundo a promotora Patrícia Eleutério Campos Dower, foi construído ao longo dos anos.

A implementação conjunta das duas frentes de fiscalização – eletrônica e humana – sinaliza uma nova era para o trânsito em Rondonópolis.

Resta saber se o “remédio amargo”, como as medidas vêm sendo chamadas, será suficiente para curar uma cidade que hoje adoece pela violência em suas ruas e avenidas, um desafio que dependerá não apenas do rigor da lei, mas da conscientização de cada cidadão ao volante.

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(Foto: reprodução)

* Matéria atualizada às 19h53 para corrigir informações.

FonteDa Redação

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