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Estreito de Hormuz ameaça encarecer comida

Os riscos de interrupção logística no Oriente Médio voltaram a influenciar as perspectivas para commodities agrícolas, energia e insumos, em um cenário de custos mais altos e maior cautela nas decisões de plantio.

Segundo o Rabobank, a instabilidade no Estreito de Hormuz dominou mais um mês de avaliação dos mercados, mesmo com o Brent acumulando queda de 15% em maio. A RaboResearch projeta que o estreito pode permanecer fechado por até três meses, movimento que teria impacto de alta sobre os preços de energia e manteria pressão sobre o fornecimento de fertilizantes.

A avaliação aponta que uma interrupção prolongada em Hormuz tende a afetar não apenas a disponibilidade de insumos, mas também os custos de produção e processamento, além da demanda. Os preços da ureia no Golfo dos Estados Unidos recuaram em relação ao pico de abril, mas ainda acumulam alta de 50% no ano. O fertilizante fosfatado MAP avança 30% no mesmo período, enquanto os preços do enxofre mais que dobraram em várias regiões, o que pode antecipar novos aumentos nos fosfatados.

No trigo, os efeitos já aparecem na redução da área plantada no Hemisfério Sul. O relatório WASDE estima queda de 5% na Austrália e de 6% na Argentina. Para o Rabobank, um fechamento de três meses do Estreito de Hormuz poderia provocar retrações semelhantes em áreas de trigo de inverno no Hemisfério Norte, além de reduzir o plantio de milho de verão no Brasil e na Argentina e, em menor intensidade, possivelmente a área de soja.

O quadro também envolve outros mercados. A consultoria observa que a oferta global de trigo segue mais ajustada, enquanto o milho tem apoio de estimativas maiores para a produção sul-americana, mas ainda enfrenta riscos ligados à área dos Estados Unidos e aos fertilizantes. Na soja, o plantio norte-americano entra na fase final, ao mesmo tempo em que as exportações da safra antiga seguem lentas.

A alta dos custos agrícolas ocorre em paralelo a pressões inflacionárias que agravam o custo de vida. No Reino Unido, o governo pediu a supermercados que congelem voluntariamente os preços dos alimentos. Nesse ambiente, margens de produtores, processadores e indústrias de alimentos podem ser pressionadas em duas frentes, tornando estratégias de proteção de preços mais necessárias.
 

A avaliação aponta que uma interrupção prolongada em Hormuz

Agrolink – Leonardo Gottems
Publicado em 29/05/2026 às 08:32h.

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