Escrito por Alisson Ficher/ Publicado em06/06/2026 às 21:30/ Atualizado em06/06/2026 às 21:35
Fonte CPG/ Rendimentos
Unidade de Indaiatuba será desativada após quase três décadas de operação, enquanto a produção do Corolla Sedan passa para Sorocaba e a montadora mantém plano de R$ 11 bilhões para ampliar operações industriais no Brasil até 2030.
A Toyota prevê encerrar em 30 de junho de 2026 as atividades da fábrica de Indaiatuba, no interior de São Paulo, unidade inaugurada em 1998, responsável por mais de 1 milhão de veículos produzidos e por cerca de 1,5 mil empregos diretos.
A decisão faz parte da reorganização industrial da montadora no Brasil e está vinculada à transferência da produção do Corolla Sedan para Sorocaba, também no interior paulista, onde a empresa concentra a ampliação de sua estrutura produtiva até 2030.
Ao mesmo tempo em que desativa a planta de Indaiatuba, a fabricante mantém um plano de R$ 11 bilhões em investimentos no país, voltado à expansão das operações em Sorocaba e Porto Feliz, com foco em novos modelos e tecnologias híbridas flex.
Produção do Corolla Sedan será transferida para Sorocaba
Inaugurada em 1998, a fábrica de Indaiatuba foi a primeira unidade industrial da Toyota voltada à produção de veículos no Brasil e ficou associada principalmente à fabricação do Corolla Sedan no mercado nacional.
Com a transferência da linha para Sorocaba, a companhia pretende reunir etapas produtivas em um mesmo complexo industrial, medida apresentada pela empresa como parte da estratégia para reorganizar a operação nacional nos próximos anos.
Anunciada em 2024, a mudança envolve a transferência das operações de Indaiatuba para Sorocaba entre 2025 e 2026, sem que a empresa tenha indicado interrupção da produção do Corolla Sedan no Brasil.

Além da montagem de veículos, o plano industrial contempla atividades relacionadas à eletrificação, incluindo componentes para modelos híbridos flex, tecnologia já utilizada pela Toyota em parte de sua linha produzida e vendida no país.
Investimento de R$ 11 bilhões amplia operações no interior paulista
Com a desativação de Indaiatuba, o complexo de Sorocaba passa a concentrar uma parcela maior da produção da Toyota no Brasil, reunindo linhas existentes e novas estruturas previstas dentro do pacote anunciado pela montadora.
Em outubro de 2024, a empresa lançou a pedra fundamental da segunda fábrica em Sorocaba, projeto incluído no ciclo de R$ 11 bilhões até 2030 e ligado à produção de dois novos modelos híbridos flex.
&pfx=0&fu=128&bc=31&plas=135x574_l%7C158x574_r&bz=1.01&pgls=CAA.&ifi=4&uci=a!4&btvi=3&fsb=1&dtd=26542
De acordo com informações divulgadas pela Toyota e pelo governo federal, o pacote de investimentos será executado em etapas, com R$ 5 bilhões previstos até 2026 e outros R$ 6 bilhões programados até 2030.
A ampliação também envolve Porto Feliz, onde a empresa prevê atividades relacionadas a motores híbridos, enquanto Sorocaba deve receber estruturas associadas à produção de veículos e componentes ligados à eletrificação flex.
Acordo trabalhista definiu alternativas para funcionários
O fechamento da unidade de Indaiatuba levou trabalhadores a realizar paralisações em 2024 e abriu uma negociação entre a Toyota e o Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região.
Depois das conversas, foi aprovado um acordo com alternativas para os empregados, incluindo adesão a um programa de desligamento voluntário ou transferência para Sorocaba, conforme as condições pactuadas entre empresa e sindicato.
Entre os principais pontos divulgados pela entidade sindical, o pacote de desligamento incluiu pagamento de 45 salários aos trabalhadores que optassem por deixar a empresa, além de regras adicionais de estabilidade e benefícios.Play Video

pfx=0&fu=128&bc=31&plas=135x574_l%7C158x574_r&bz=1.01&pgls=CAA.&ifi=5&uci=a!5&btvi=4&fsb=1&dtd=27901
A negociação também contemplou funcionários que desejassem permanecer na montadora, com possibilidade de transferência para Sorocaba e condições específicas para quem aceitasse trabalhar em outra cidade ou mudar de residência.
Segundo informações divulgadas à época, a Toyota afirmou que a prioridade era absorver os trabalhadores de Indaiatuba na nova configuração produtiva, sem demissões unilaterais durante o processo de transição entre as unidades.
Transferência de trabalhadores segue monitorada por sindicatos
Representantes dos metalúrgicos acompanham os efeitos da expansão da Toyota em Sorocaba, especialmente pela possível movimentação de fornecedores, empresas de logística, prestadores de serviço e trabalhadores ligados ao setor automotivo.
A montadora informou que o plano de expansão está associado à criação de empregos diretos, enquanto entidades locais também projetam impactos indiretos sobre empresas que fornecem peças, sistemas, serviços e apoio à produção.
Na região de Campinas, o sindicato acompanha a execução dos compromissos firmados com os empregados de Indaiatuba, principalmente em relação à transferência gradual dos trabalhadores e à manutenção das garantias previstas no acordo.
Esse acompanhamento ocorre porque a mudança envolve empregados de uma unidade inaugurada há quase três décadas e altera a distribuição das operações da Toyota entre municípios do interior de São Paulo.
Reorganização industrial não indica saída do Brasil

Embora tenha confirmado o encerramento das atividades em Indaiatuba, a Toyota não anunciou saída do Brasil nem redução geral de sua presença industrial no país, mas uma redistribuição das operações dentro do estado de São Paulo.
A companhia segue com fábricas e projetos em território brasileiro, incluindo Sorocaba e Porto Feliz, onde estão previstas ampliações ligadas a veículos híbridos, motores, baterias e componentes associados à estratégia de eletrificação flex.
Nos últimos anos, outras montadoras também anunciaram investimentos no Brasil, com planos voltados a modelos eletrificados, adequação de plantas industriais e ampliação de operações em meio às mudanças do setor automotivo.
No caso da Toyota, a transição encerra a produção em Indaiatuba e desloca parte central da operação para Sorocaba, município que passará a receber a produção do Corolla Sedan e novos projetos previstos no plano bilionário.
A unidade de Indaiatuba deixa a produção após um período iniciado em 1998, enquanto o investimento em Sorocaba redefine a distribuição fabril da empresa para os próximos anos no setor automotivo brasileiro.
