O cenário observado em julho de 2024 reforçou esse alerta
As ondas de calor passaram a representar um risco à produtividade agrícola, especialmente quando coincidem com fases sensíveis do desenvolvimento das culturas. Segundo Braitner L. Andrade, estrategista do agronegócio, as perdas começam antes mesmo de qualquer sintoma visível no campo.
O cenário observado em julho de 2024 reforçou esse alerta no agro brasileiro, com temperaturas acima de 35 °C durante a floração em diversas regiões. Nessas condições, o estresse térmico altera a estabilidade das membranas celulares, eleva a produção de espécies reativas de oxigênio, compromete a fotossíntese e reduz a atividade enzimática e hormonal. Quando o calor persiste, os tecidos reprodutivos ficam mais vulneráveis, aumentando o risco de esterilidade do pólen, abortamento de flores e queda de produtividade.
A prevenção, nesse contexto, ganha espaço no manejo. Estudos citados pelo estrategista indicam que bioestimulantes à base de Ascophyllum nodosum podem fortalecer mecanismos naturais de proteção, preservar a integridade do Fotossistema II, estimular o acúmulo de osmoprotetores, como a prolina, e ampliar a capacidade antioxidante da planta.
Esse conceito, chamado de priming fisiológico, busca preparar a cultura antes do estresse. A nutrição pode reforçar essa resposta. O boro favorece o desenvolvimento do tubo polínico, o cálcio contribui para a estabilidade das membranas celulares e a prolina atua na proteção de proteínas e estruturas celulares.
A estratégia também pode ser apoiada por modelos de Inteligência Artificial que integram previsão climática, estádio fenológico e histórico de cada talhão. Assim, é possível identificar com maior precisão a melhor janela para aplicações preventivas e incorporar as ondas de calor ao planejamento da produção.
Agrolink – Leonardo Gottems
Publicado em 07/08/2026 às 10:05h.
