Na Europa, a França enfrenta falta de combustível em 11% dos postos
A combinação entre menor oferta de diesel no mercado internacional e o avanço de novas restrições comerciais contra a Rússia volta a elevar a atenção sobre o abastecimento e os custos do combustível no Brasil. A avaliação é do economista André Galhardo Fernandes, com base em dados do MDIC e na análise das condições recentes do mercado de derivados.
Na Europa, a França enfrenta falta de combustível em 11% dos postos, enquanto o diesel atingiu máxima histórica e a gasolina se aproxima de picos anteriores. O problema está relacionado à disponibilidade de derivados, com margens de refino de diesel e querosene de aviação em níveis recordes. Na Alemanha, foi aprovado um pacote de 2,5 bilhões de euros para reduzir impostos sobre combustíveis a partir de outubro.
Ao mesmo tempo, a análise aponta que o Congresso dos Estados Unidos aprovou novas sanções contra a Rússia, concentradas no setor energético. O texto prevê a possibilidade de tarifas de até 100% a países compradores de petróleo e gás russos.
A pressão aumenta porque a Rússia era uma importante fornecedora de diesel ao mercado internacional. Ataques às refinarias reduziram a capacidade de processamento e as exportações marítimas russas recuaram para 1,8 milhão de toneladas em junho, queda de 39% sobre maio e de 46% na comparação anual.
O Brasil tem exposição relevante, já que importa cerca de 30% do diesel consumido e a Rússia respondeu por 64,4% das compras externas no acumulado do ano. Entre janeiro e agosto, as importações brasileiras de diesel somaram US$ 7,7 bilhões, ante US$ 6 bilhões em 2025 e US$ 5,6 bilhões em 2024. Em 2022, o valor havia chegado a US$ 9 bilhões.
Como o diesel está presente no transporte de cargas, na agricultura e na construção, um novo aperto na oferta pode ampliar custos ao longo das cadeias e aumentar a pressão sobre os preços nos próximos meses
Agrolink – Leonardo Gottems
Publicado em 22/09/2026 às 02:45h
